Arquivo da categoria: outros tantos tormentos

BIBLIOTECA DENTRO DE PADARIA

Muito legal essa iniciativa: uma biblioteca que funciona dentro de uma padaria! A ideia vem do Paraná, onde a panificadora Pão de Mel compartilha livros com seus clientes. Não tem carteirinha, cadastro, nada! É só pegar e devolver quando quiser.

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SCAN IT!

por Letícia Schmidt 

Hoje é meu primeiro post aqui no blog da Alguns Tormentos! Me chamo Letícia, sou arquiteta, gaúcha, atualmente vivendo em Long Island – New York. Entre fraldas e mamadeiras com meu bebezinho, apareceu uma forte vontade de escrever e resolvi contar aqui um pouco sobre a vida cotidiana, o comportamento e as curiosidades que envolvem o dia a dia em um lugar de tantos contrastes.

Não quero exatamente falar sobre o que todos dizem a respeito de New York, Museus… Times Square… Empire State… Busco mostrar as viagens, arredores e principalmente surpresas da vida cotidiana. Como o seguinte caso que me fez refletir muito esta semana…

O simples fato de ir às compras em um supermercado pode ser uma experiência engrandecedora por aqui. Explico porque: no princípio já me assustava com o fato de poder, eu mesma, retirar meus itens do carrinho e passar pelo leitor de código de barras, efetuar o pagamento com cartão de crédito e ir embora.

Quando todos começaram a falar em “reutilizar”, este mesmo lugar já oferecia sacolas retornáveis (resistentes) por um preço insignificante e que, quando levadas para uma próxima compra, ainda te dão desconto de 5 cents por sacola.

Na última compra, fui surpreendida por algo inusitado: foi montado um rack com vários scanners manuais, ao lado de sacolas plásticas ou sacos de papel (como os de antigamente). Para fazer suas compras, basta retirar um scanner, a quantidade de sacolas que desejar, colocar em seu carrinho e iniciar. Basicamente, cada item retirado da prateleira deve ser scanneado e colocado na sacola até acabar a sua lista de compras!

Para remover algum item, basta pressionar o botão “remove” e o total é rapidamente ajustado, simples assim. Na hora do pagamento, é só ir até o caixa, passar o valor total para o leitor, pagar da forma que preferir, colocar o scanner de volta no rack (não, ninguém leva o scanner para casa!) e fim.

Uma situação corriqueira e cotidiana como essa me deixou  – chocada –  pois nenhuma câmera de segurança precisou ser ajustada, não colocaram guardas nas portas e acreditem, ninguém tenta incluir um item no carrinho sem scannear. É uma lição de educação! Principio básico que todos deveríamos ter, a começar pela nossa própria casa.

Tem ainda a agência bancária que fica em frente, onde se pode pagar contas e fazer saques em um drive-thru como se estivesse comprando um McDonald’s! … mas isso já é história pra outro post!

DE NORAH JONES A BON JOVI

por Samanta Alcardo

It’s all your fault, Jon.

Estava aqui sozinha ouvindo The Fall, da Norah Jones. Mais precisamente Manhattan, minha música favorita do disco. Letra foda sobre separação. O disco inteiro basicamente é sobre o fim de um relacionamento de 7 anos que Norah Jones teve com o baixista de sua banda. E ouvindo essa música eu comecei a pensar um monte de coisas.

Eu ando bastante assustada com os homens. Nunca vi tanta gente com o coração partido por causa de homens. E não é uma questão de amor não correspondido, não. Antes fosse, minha gente. Questão de sujeirada mesmo, imaturidade, falta de decência, falta de coragem, falta de tato, mentira. Uma história atrás da outra.

Eu poderia me concentrar no pensamento “puxa, tenho muita sorte de não estar nessa”. Mas tem como pensar assim ao ver pessoas queridas sofrendo? Eu nem consigo. Aí minha vida tem sido equilibrar a vontade de tentar amenizar o sofrimento e as reflexões (que não ajudam em nada, mas que de alguma maneira me ensinam). O que será que acontece com as pessoas? Por que todo mundo basicamente tem MEDO de sentimentos e sai fazendo um monte de idiotices?

Tem todo o lance da diferença entre os sexos, né. Mas, além disso, eu vejo muita confusão. Vejo muita gente que se gosta não conseguindo fazer a coisa funcionar porque basicamente só um lado de esforça. As pessoas estão muito presas em si mesmas, ninguém quer ceder por uma causa maior. E meu amigo, pode apostar que o lance todo só dá certo com MUITO esforço (isso eu estou falando por mim, se você leitor tiver um relacionamento incrível e fácil, escreva o seu depoimento, por favor).

Será que tem a ver com o que as mulheres esperam? Estava lembrando agora de umas coisas que pensei durante o show do Bon Jovi no começo desse mês. Toda aquela magia do homem que faz tudo pela mulher (já repararam quantos EVERYTHING tem nas letras do Bon Jovi??). Toda a magia do homem que põe o amor em primeiro lugar. A-ham. Homens não vivem e morrem por nós. Não dão o sangue nem a vida por nós. Homens são relapsos, nunca dão a atenção que a gente espera e acha que merece… por que mulheres querem bastante, né gente? Não dá pra negar. Ok, Bon Jovi é exagerado. Mas eu e várias amigas crescemos ouvindo músicas tipo Always e In These Arms. O que a gente podia esperar? E essas são as melhores canções de amor, não são? Ah são.

Deve ser porque não são reais. Because reality sucks.

Nessa hora eu acho que fé é o que liga. Porque gente, existem homens legais. Eu juro, eles EXISTEM. Só que eles se perdem um pouco na multidão quando pensamos na quantidade de seres canalhas em vigor. Triste. Mas acho que a gente só encontra enquanto tenta, né? E ah, sei lá, eu acho que o Bon Jovi exagera, mas não mente. Acho mesmo.

I'll be there for you, Norah.

EU E O SNOW PATROL

Snow Patrol

Como jornalista, trabalhei por quase oito anos cobrindo cinema. Entrevistar pessoas nunca foi algo que me tirou do eixo. Sempre fui capaz de segurar qualquer impulsividade relacionada a tietagem normalmente. Às vezes – como quando entrevistei Viggo Mortensen e ele se mostrou um cara realmente bacana -, tirava fotos juntos. Mas nunca mais do que isso. Não sei se foi porque fazia um tempo que não entrevistava ninguém (há quase um ano, assumi um cargo de editora e não faço mais reportagens), mas semana passada, um dia antes do show em São Paulo, entrevistei dois membros do Snow Patrol, Gary Lightbody (vocalista e guitarrista) e o Paul Wilson (baixista).

Eu do lado de uma câmera; eles, na minha frente. Como disse, nunca me deixei levar. Mas, nesse dia, nem liguei.

Acho que minha relação com artistas de música é diferente com cinema. Ou eu estava tão acostumada a entrevistar essa galera do cinema que conseguia me segurar. Mas, para começar, fui com minha camiseta da Alguns Tormentos com o bi-polar bear em homenagem ao primeiro disco do Snow Patrol, Songs For Polar Bear. Depois, descobri que a banda ia chamar Polar Bear, então nada mais perfeito. E eles adoraram minha camiseta, queriam saber onde eu tinha comprado e eu disse orgulhosamente: “my friend made it!”.

Eu queria que eles me achassem muito legal. E eles foram muito adoráveis comigo. No fim, tirei fotos – não somente com o Paul e o Gary, mas com a banda toda, que, por minha sorte, entrou no quarto bem no momento da foto. Além do mais, todos autografaram meu encarte de Final Straw, meu disco do Snow Patrol favorito. Soletrei meu nome pro Gary. SOLETREI MEU NOME PRO GARY. E a Alguns Tormentos estava lá comigo. Uma bela ocasião para falar sobre a grife aqui no blog, no fim das contas.

Veja o resultado final de minha entrevista em vídeo com o Snow Patrol (por que não vender meu peixe por aqui também, não é?).

FEELING SINISTER, ALWAYS

por Samanta Alcardo

Foi lendo esse texto que me inspirei a finalmente terminar um post que estou rascunhando há semanas.

Comecei a tentar descrever o que exatamente o Belle & Sebastian significa para mim. Ok, espero que as pessoas não enjoem de ler sobre essa banda aqui. Foi quando assisti ao vídeo que a banda disponibilizou em sua página oficial para divulgar o disco novo. Fiquei toda envolta em muita ternura e amor, aquelas coisas que a gente sente quando vê pessoas queridas que não via há um tempinho. E então fiquei discutindo a relação na minha cabeça, analisando toda a minha “história” com a banda.

Foi um dia em 1997 ou 1998 que eu li sobre um disco de capa vermelha com nome interessante: If You’re Feeling Sinister. Uma resenha do Zeca Camargo na Showbizz. Ele falava bem do disco, mas nem foi isso que me pegou; o título é que ficou na minha cabeça.

Fui atrás. Lembro de ir numa Siciliano e pegar o cd pra ouvir. Quando escutei o piano de Seeing Other People foi assim mágico. Nunca tinha ouvido nada parecido. Até então eu só ouvia Nirvana e Alanis. Eu morava no interior e o acesso ao mundo melhor era, digamos, bem restrito.

E aí comprei esse disco. E depois todos os outros.

Desde então, Belle & Sebastian é minha banda favorita e isso nunca mudou. Foi a banda que me incitou a fazer uma primeira tatuagem, a vontade de marcar algo pra sempre. Quando tento identificar exatamente por que, só consigo pensar numa coisa: os discos me mostraram quem eu era. Isso numa época em que eu não fazia a menor ideia do que era, que bandeira levantava, o que não queria ser. E aquelas letras que contavam histórias de pessoas tímidas, esquisitas, com sentimentos simples que não se encaixavam no “todo” me pegaram no colo e não me soltaram nunca mais.

Mary Jo é uma letra que, a meu ver, descreve exatamente o que sou até hoje (eu não mudei muito desde 1998, que bacana). Lembro de fazer uma camiseta com a capa do If You’re Feeling Sinister e exibi-la toda orgulhosa na faculdade. A faculdade, aquele lugar no qual eu me sentia um perfeito extraterrestre.

Até um dia vir um moço que sentou ao meu lado e me perguntou “você gosta de Belle & Sebastian?”. Oh Deus, o mundo tem um lugarzinho pra mim. Obrigada, Stuart Murdoch.

O que mais eu amo são as histórias. Os nomes das pessoas nas músicas, a maneira de descrever sentimentos de um jeito tão simples, porém nunca óbvio. As historinhas nos encartes, as fotos. As palmas.

E aí vieram os blogs. Eu já sabia quem era; escrever sobre algo conhecido fica bem mais fácil. E conhecer pessoas afins também.

Hoje, quando ouço qualquer disco/EP da banda, a sensação que eu tenho é de estar ouvindo algo que faz parte de mim, que é familiar e que nunca vai me abandonar. Por mais que eu tenha adoração por outros artistas, é só com o Belle & Sebastian que eu sinto isso.

Eu acho que quem ama música sempre encontra uma banda “alma gêmea”. Eu tive a sorte de encontrar a minha num momento em que eu nem sabia que precisava de uma.

BANDA DE CAVALOS

por Eduardo Biz

Hoje decidi escrever este post que venho adiando há meses: sobre o Band Of Horses. Por que escolhi o dia de hoje para cumprir esta pendência? Eu explico, meu caro leitor: hoje, ao chegar em casa, fui testar o computador que chegou do conserto, e constatei que havia perdido, além de todos os softwares que estavam instalados nele, as quase 20.000 músicas que havia no HD.

Eu sei, 20 mil músicas é muita coisa, e foi precisamente o medo de lidar com essa quantidade de gigabytes que sempre me impediu de gravar um backup.

Ou seja, além de ter trocado meu computador cheio de tesouros que guardo desde 1998 – aproximadamente quando parei de comprar CDs em doses cavalares como costumava fazer – por um com a mesma carcaça e zero de conteúdo, ainda sou obrigado e admirar esse fundo de tela com aquele campo verde horroroso do Windows.

Mas a perda não foi total. Restaram algumas musiquinhas aqui e ali, sobreviventes de um maremoto eletrônico. Entre elas, lá estava o álbum do Band Of Horses, “Infinite Arms”. Mas antes de falar sobre o quão esplêndido ele é, preciso fazer uma breve introdução sobre minha relação com a música e o AMOR. Ok, vamos tentar:

Como já foi possível detectar em posts prévios , sou fã de Belle & Sebastian. Posso dizer que, entre tantas bandas que eu GOSTO, Belle & Sebastian é uma que eu AMO. Amo tanto a ponto de sempre ter achado que não seria possível existir outra banda que me fizesse sentir o mesmo grau de identificação. Muitas já chegaram perto, bem próximo mesmo… afinal, no meio de 20 mil canções, você pode imaginar que havia muita coisa bacana. Mas minha relação com a música é parecida com minha relação com as amizades: tenho muitas, mas AMO poucas.

E é por isso que eu queria tanto vir aqui falar sobre o Band Of Horses, ganhadores de um ingresso VIP para entrar no círculo dourado das bandas que AMO, um seletíssimo grupo cujos membros podem ser contados com os dedos de uma única mão.

Gosto das letras, gosto da voz, gosto dos arranjos, gosto de como fico feliz quando o iPod me presenteia no shuffle com qualquer música deles. Sim, qualquer música, pois todas são ótimas, e acho que para que uma banda seja AMADA, sua obra precisa exalar excelência integralmente.

Se você gostou da música ali de cima, ouça também NW Apt., Laredo e Older. Todas elas são do álbum “Infinite Arms”, o mais recente. O disco anterior, “Cease To Begin”, também é genial. Se eu fosse você, baixava já! 🙂

POR MANHÃS MENOS PENOSAS

por Angélica Bito

Criar rotinas para levar o dia é algo reconfortante. Quero dizer, a gente tem de criar rotinas, métodos e processos para conseguir fazer tudo que temos de fazer. Especialmente de manhã. Não sou muito boa pensadora logo que acordo. Por isso, não curto muito conversar pela manhã. Prefiro ficar fazendo minhas coisas, na minha rotina já pré-definida, e conseguir sair de casa sem esquecer de colocar uma meia ou algo do gênero.

Um desses pilares da minha rotina matinal antes de ir trabalhar é tomar café vendo clipes na MTV. Mas não são todos os dias que a sequência está boa. No entanto, em alguns deles não tenho vontade de sair de casa naquela faixa entre as 7h às 8h. E vou te dizer que ver um clipe legal na TV assim, gratuitamente, quando você está comendo seu cereal matinal, é de fazer qualquer um feliz.

Nesta quinta-feira, estava passando este clipe enquanto eu tomava meu café da manhã:

Uma coisa é acordar e colocar um CD que você gosta, por exemplo. É evidente que você curtirá músicas boas pela manhã, não é surpresa nenhuma. Mas o legal é quando você liga a TV e um clipe totalmente inesperado e completamente adorado está passando. Os primeiros minutos do dia ajudam a definir seu astral pelos montes de horas disponíveis até você colocar a cabeça no travesseiro de novo. Hoje, enquanto olhava para o adorável Stephen Malkmus na televisão, pensava em como o dia seria bom. Certo, não foi tanto quanto eu esperava, mas ter essa sensação é muito importante pela manhã para mim.

Por isso que eu certamente daria um abraço de agradecimento a essa pessoa tão notável que programou Pavement, Pixies, Sonic Youth, REM, Blur, Teenage Fanclub, Lemonheads, Weezer e tantas bandas boas que curti pelas minhas manhãs antes de vir trabalhar. Pessoa misteriosa: siga com seu trabalho de salvar vidas pela manhã.