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RANCOR E HARMONIA NO DISCO DE GOTYE

Quem acompanha a Mixtape Atormentada já ouviu essa incrível música aí de cima na edição de setembro. Mas ela é tão sensacional que merece um post exclusivo aqui no blog.

O belga-que-vive-na-Austrália Gotye não é nenhum novato na música. Sua carreira já conta com 10 anos de estrada e 3 álbuns lançados. “Making Mirrors” é o mais recente, lançado na metade deste ano, e é nele que se encontra a belíssima “Somebody That I Used To Know”.

Com letra cheia de rancor, a música conta com a participação da cantora Kimbra, a cereja do bolo. Suavidade e delicadeza conduzem a harmonia e envolvem o ouvinte de uma maneira tão intensa que é quase improvável que você não coloque a faixa para tocar novamente logo depois de a ter ouvido. E o clipe, bem… dispensa comentários de tão lindo.

O restante do disco é bem surpreendente e vai muito além dessa sonoridade. As faixas se diversificam bastante, às vezes até dão a impressão de falta de coerência na obra. Mas isoladamente, as músicas funcionam e encantam, cada uma por motivos bem particulares.

Vale aquela audição com carinho! 🙂

Gotye - "Making Mirrors"

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MUDANÇAS BOWIANAS EM CH-CH-CHANGES

por Maíra Thums


Changes se tornou uma das músicas mais famosas de David Bowie, e não é para pouco. A letra retrata sua personalidade camaleônica e quase mutante se tratando da sua figura artística – e humana. Ela foi gravada em Hunky Dury, o último álbum lançado antes de dominar a Inglaterra com seu próximo disco e o personagem Ziggy Stardust, um alienígena com uma mensagem de esperança. Bowie diz “ Mudanças – vire-se e encare o desconhecido”, no refrão de Changes.

Há muitos rumores sobre essa composição, inclusive uma delas faz analogia ao The Who, na gagueira “ch-ch-ch-ch-changes”. Bowie é um artista cheio de mitos, que marcou a década de 70 e seguiu produzindo e transformando a cena das décadas seguintes. Graças a sua personalidade audaciosa, sexualmente ambígua, e suas criações ousadas para o mainstrean daqueles tempos – que nem faz tanto tempo assim, abriu as portas para o movimento glam.

David Bowie é a tradução dos excessos e hoje tem sua imagem e trabalho associados ao cool e ao que é atual. Alguns Tormentos concorda em número e grau, e presta homenagem ao camaleão.

ANNA CALVI, UMA GAROTA INTENSA

Um dos grandes discos de 2011, sem dúvida, é o debut de Anna Calvi. Lançado em janeiro, o álbum é uma verdadeira pérola!

Conhecida por seu jeito único de tocar guitarra em movimentos circulares (ao invés de verticais), Calvi diz tentar criar o som de outros instrumentos através dela.

Por causa dessa relação com a guitarra, pela voz mais ou menos grossa, e pela intensidade das suas letras, ela é muito comparada à PJ Harvey. Mas não é difícil sacar que suas músicas são bem distintas, cada uma com uma identidade bem singular.

Não foi fácil escolher apenas duas músicas pra ilustrar esse post. Mas fica aí a dica pra correr atrás do álbum inteiro. Depois conta aqui o que você achou! 😉

DICA MUSICAL DO DIA: PURO INSTINCT

Dica rápida de uma banda nova incrível: Puro Instinct.

As duas jovens irmãs (uma tem 20 e outra tem 16!) fazem um som meio 80s, parece Blondie às vezes, mas com uma pegada mais… fresh!

Aqui também tem um clipe delas (não rolou embedar neste post).

MOBY REVELA NOVOS TALENTOS DO AUDIOVISUAL

Muito boa essa competição proposta pelo Moby, em parceria com a mega-agência Saatchi & Saatchi e o Vimeo, com objetivo de descobrir novos talentos do audiovisual. A idéia é interpretar de maneira criativa o tema “Hello, Future”, usando como trilha uma faixa do seu último disco, “Destroyed”.

O ganhador terá sua obra exibida no festival de Cannes deste ano, além constar como destaque no site do Vimeo e poder trabalhar em um projeto da Saatchi. Quanto prestígio, não?

Os 10 finalistas já foram escolhidos, e o ganhador será anunciado no próximo dia 23. Estes são os vídeos que a gente mais curtiu:

 

Quem será que leva o prêmio?

A IDADE ADULTA PODE SER LEGAL

por Samanta Alcardo 


Eu fico meio espantada/admirada com a quantidade de artistas talentosíssimos aí no MUNDO e que a gente precisa dar uma certa “fuçada” pra conhecer (melhor ainda se você tem amigos que também fuçam e te indicam coisas bacanas). Artistas que não estão nos trending topics do Twitter, que não têm 5879875642 views no YouTube ou que não criam o Apocalipse cada vez que lançam um clipe.

Aí quando eu ouço um desses artistas “escondidos” eu tenho vontade de fazer com que a HUMANIDADE conheça e fique tão feliz com a novidade quanto eu. Assim, vamos falar de um disco honesto, fofo, divertido e adorável.

O disco é Adulthood do Cocknbullkid, nome artístico de Anita Blay, inglesa de 26 anos que na verdade surgiu em 2009, com a excelente On My Own (clipe abaixo).

Adulthood será lançado este mês, com 14 faixas irresistíveis. A primeira, que leva o nome do disco, já conquista de cara. Ritmo marcado por um baixo todo sedutor, com Anita filosofando sobre a idade adulta: Is this adulthood? Tell me when it starts… when it gets good. Delícia!

E as faixas seguintes despertam mais amor ainda. One Eye Closed, do vídeo fofo abaixo, é minha favorita.

Por último, preciso dizer que tenho MUITA vontade de ser amiga de Anita quando vejo o clipe abaixo. E amo muito seu batom. Fim!

ECOS DO VERÃO NA ISLÂNDIA

Há mais de um ano, postei aqui no blog sobre meu apreço pela música islandesa, e deixei registrada a promessa de sugerir regularmente bandas legais vindas daquela terra mágica. Desde então, fiz apenas um post cumprindo essa dívida, tsc tsc tsc… Porém nunca me esqueci do compromisso, e hoje venho retomar o assunto!

Sin Fang é o projeto solo de Sindri Már Sigfússon, uma criatura tão talentosa que é capaz de se superar a cada coisa que faz. Ele foi vocalista do Seabear, uma das bandas mais sensacionais que já brotaram do solo vulcânico de Reykjavik, mas que infelizmente já não existe mais.

O Sin Fang começou em 2008, com o álbum “Clangour” (nessa época, era assinado como Sin Fang Bous, agora o Bous caiu fora). O disco é lindo, e tem como carro-chefe esta bela canção:

Eis que, mês passado, o rapaz divulga seu novíssimo álbum, “Summer Echoes”, e o que parecia impossível se prova um fato: é ainda melhor que o primeiro.

São doze faixas ao todo, distribuídas em uma vasta diversificação sonora, que vai desde um piano simples e bem emotivo (“Two Boys”) até guitarras estridentes (“Bruises”). O primeiro single é “Because Of The Blood”:

Uma belezinha, não? Sin Fang consegue criar música pop com intelectualidade, mas sem que isso pareça forçado, talvez por ser executada com delicadeza. Suas músicas mesclam camadas eletrônicas e orquestradas, e tudo parece ter sido feito artesanalmente e sem grande pretensões, mas no fundo não é difícil perceber que o cara tem uma forte inclinação profissional para o perfeccionismo.