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TESTE: ÍCONES POP

Você acha que sabe de cultura pop? Música, cinema, TV, astros e divas? Então chegou a hora de testar seus conhecimentos!

Quantos ícones do mundo pop você reconhece na imagem acima?

São 315 desenhos feitos pelo artista Grégoire Guillemin. Garantia de passa-tempo!

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ALEJANDRO, FERNANDO, ROBERTO!

entiendo means I get it!

A essa altura do campeonato, todo mundo sabe que Alejandro, aquela música da Stefani  Germanotta, foi um dos hits do verão no hemisfério norte e do inverno, aqui no sul. Ainda que o vídeo da música, dirigido pelo fotógrafo Steven Klein, tenha causado pouca controvérsia além das discussões calorosas entre fãs e observadores da cultura pop, é inegável que a música, como quase todos os singles da Germanotta, tem todos os ingredientes para grudar na cabeça. Mas pra quem acha que esse hit é o cúmulo da originalidade, bom, não custa recapitular outras músicas do cancioneiro pop que guardam semelhanças com Ale-Alejandro, né? 

Pra começar, usar nomes latinos masculinos em letras de música é coisa antiga, viu: 

Mas nem é preciso ir tão longe nas paradas de sucesso. Olha a música da Jenny Lewis, do Rilo Kiley, de 2009:

Claro que, além da coisa de apelar pra nomes latinos masculinos, a própria melodia da música é facilmente reconhecível num outro hit de verão, dessa vez de 1993: 

E se cantar em tom de clemência repetindo nomes latinos e abusar de sonoridades de dance music dos anos 90 ainda não for suficiente pra fazer Ale-Alejandro se sentir menos sozinho no panteão pop, tá bom, a gente inclui o megahit que lançou a moda de incluir não somente nomes, mas frases inteiras em espanhol pra cativar os amantes da latinidad:  

Pronto! Agora já temos um bloco pop-oldie-latino-90’s-indie pra discotecar e esquentar esse inverno! Uepa!

MILKSHAKES, FILHOS & BATE-CABELO

"I am beautiful, no matter what they say...".

Um dia, você faz sucesso cantando por aí que o seu “milkshake traz todos os garotos pro quintal”, tem problemas com a polícia e some do cenário pop. Anos depois, você tem um filho e compõe pra ele uma canção dizendo que, antes dele, sua vida inteira era “acapella e agora uma sinfonia é a única música a cantar”.

Eu achei lindo. E mesmo sendo produzida pelo hottest producer of the moment, o David Ghetta (meio farofão, né?), eu gostei bastante de Acapella, novo single da Kelis. Particularmente, eu só a conhecia por Milkshake, então imaginem a agradável surpresa que tive quando escutei esse novo single, super sacolejante, rebolativo e convidativo às pistas, com um refrão super catchy, e ainda mais quando a vi no clipe, uma coisa meio Avatar meets Earth Intruders, da Björk, dirigido pelo britânico Chris Cottam e pelo fotógrafo de moda Rankin (adoro!). Reinventada como uma mulher tribal, ela aparece mais interessante e sofisticada do que antes. O disco novo, “Flesh Tone,” sai em junho.

Avatar feelings

 

LIÇÕES DA TIA MADONNA

por Samanta Alcardo

A imprensa mundial tem enaltecido Lady Gaga e a comparado a Madonna. A revista Bizz a chamou de “diva do século 21”; ela saiu na capa da Q com a frase “Move over, Madonna… Lady Gaga has risen!” Isso só pra citar exemplos mais recentes.

Sou fã da Madonna e gosto da Gaga. Fiquei pensando em tudo que aprendi com a tia Madonna. Será que a Gaga pode/poderá ter esse mesmo papel na vida de um adolescente hoje? Não sei, difícil supor, já que estar na puberdade hoje é bem diferente de passar por isso no fim dos anos 80, começo de 90 (minha época). Espero que sim; que os jovens de hoje (oi velhice!) possam ter um ícone que faça por eles pelo menos metade do que Madonna fez por mim.

O mais bacana é que Madonna sempre surpreende. Pense só, ela poderia ser uma estrela pop apagada e aposentada hoje em dia. Ela já tem filhos, é milionária, casou várias vezes, experimentou tudo que queria (e mais um pouco). Podia só fazer aparições em eventos de caridade, fazer as visitas que faz à Africa, ser vista na primeira fila de shows badalados ou simplesmente se resignar à idade e diminuir o ritmo. Podia estar hoje como o Michael Jackson antes de morrer, a Cindy Lauper, o Elton John, a Cher e tantos outros artistas que já causaram muito décadas atrás e hoje apenas continuam existindo.

Mas não. Ela continua lá, sendo Madonna. Continua se jogando em festas, saindo em turnês longas e inacreditáveis, pulando corda, dançando pacas, causando. A mulher dirige filme e documentário, adota criança, lança disco novo (e bom!), namora um modelo muito mais novo (e chamado Jesus Luz) e É ISSO AÍ. Madonna me fascina por isso, pela não obviedade. E pela força, acima de tudo. Quando olhei nos olhos dela, da área VIP do Maracanã debaixo de chuva, foi isso que vi: FORÇA. E força com feminilidade, ousadia e carisma, meu bem.

E só pra reforçar isso, dá uma olhada na capa (alternativa) da novíssima edição da revista Interview, em que o cineasta Gus Van Sant entrevista a tia:

Daí você vê algumas das fotos e alô? Voltamos aos anos 80? Alguma coisa mudou? Danada.

I’ve learned my lesson well. E o mais legal é que tem as cartilhas pra eu poder sempre reforçar os conceitos. A de hoje foi The Immaculate Collection.

Lady Gaga, boa sorte!

PARANOID ANDROID!

por Renato Barreto

 

Irmandade do robô?

E de onde veio essa nova onda robótica na música pop? De repente você para e constata que várias cantoras estão usando essa temática, seja em músicas, vídeos, fotos, etc. Já reparou? Então, vamos lá: o novo single da Robyn, Fembot, fala de uma mulher robô que também tem sentimentos (“Once you gone tech / You’re never ever going back”) – o que me lembra aquele filme Mulher Nota Mil, que passava na Sessão da Tarde, sobre uma mulher ideal, toda robotizada, sabe?

Enfim.

Voltando ao futuro, quer dizer, ao presente. Aí você ouve Marina & the Diamonds, I Am Not a Robot, que por sua vez afirma o contrário, “I’m vulnerable / I’m not a robot”. Oi, Inteligência Artificial! Já em termos de imagem, nós temos Christina Aguilera bancando a futurista kitsch na capa do novo disco, Bionic, e Janelle Monae também investindo na vibe Metropolis em seu aguardado disco de estréia, The ArchAndroid.

Björk de lata

Será essa uma referência inconsciente coletiva que virou modinha? No caso da Robyn, até acho que não, porque na música que ela gravou com o duo norueguês Röyksopp, The Girl and the Robot, ela já apontava pra essa relação humano/cibernético (“I’m in love with a robot”). Isso sem mencionar o fantástico (e premiado) clipe de All is Full of Love, da Björk, dirigido pelo Chris Cunningham, que retrata uma bela relação amorosa entre dois robôs björkianos.

Mas e o Brasil, ficou fora de mais essa tendência?

Ah, claro que não! A gente saiu na frente com Robocop Gay, né? Duh!

Robocop gay, ah, eu sei eu sei!

LIBERACE: PIANOS, CANDELABROS E PAETÊS

por Tiago Fioravante

LiberaceLiberace
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Liberace
Liberace
 

Até pouco tempo, ‘Liberace’ não passava de um nome estranho pra mim. Só muito recentemente que eu fui pesquisar e acabei descobrindo coisas incríveis a respeito de um dos maiores pianistas do século XX.

Provavelmente em poucos meses haja uma avalanche de informações sobre este personagem que modificou profundamente a maneira dos instrumentistas se apresentarem, afinal, está programado para breve uma cinebiografia do artista, que terá no papel principal ninguém menos que Michael Douglas, dirigido por Steven Soderbergh, e que terá Matt Damon como parceiro do pianista. Apesar de o filme tirar Liberace do armário, ele não era assumido, e na década de 50 chegou a processar um tablóide inglês por sugerir isto.

Mas este post não é sobre o filme, e sim sobre seu estilo, kitsch ao extremo, uma de suas características mais marcantes, além do candelabro que ele sempre preservava em cima do piano em suas apresentações. Mas antes de tudo vamos dar uma recapitulada. Liberace (nascido Wladziu Valentino Liberace, em maio de 1919) é de uma tradicional família de músicos de origem polonesa e italiana, estudou para se tornar um pianista clássico, mas surpreendeu a todos em uma de suas primeiras performances públicas, quando ao invés de tocar uma composição clássica, ele preferiu fazer o inusitado, e escolheu um arranjo de música popular.

Seu visual já chamava atenção muito antes Elvis Presley, Elton John e David Bowie se tornarem conhecidos. Os figurinos eram extravagantes, repletos de brilho, pedrarias, peles e diamantes. Usava mantas de mink e de vison sobre roupas de lamê com paetês, purpurina, jóias pesadas, colares imensos. Fazia questão de informar quantas peles de animais haviam sido usadas em cada modelo (o que deixaria os ativistas do PETA de cabelo em pé hoje em dia). Seu guarda-roupa chamava a atenção também pelo colorido e pelo grande número de acessórios e capas. Ele adorava ousar! Muitos destes trajes estão expostos hoje em dia no Liberace Museum (Liberace Foundation for the Performing and Creative Arts), em Las Vegas, mas infelizmente eles não disponibilizam as imagens online.

Pesquisando mais sobre ele encontrei uma série de imagens que deixam bem claro a extravagância de Liberace, que ia muito além das roupas, se estendendo ao seu estilo de vida, pois afinal, ele foi um dos primeiros instrumentistas a ter um cachê na casa dos milhões, e adorava esbanjar isto, comprando mansões, carros e pianos, alguns inclusive haviam pertencido a gênios como Chopin e George Gershwin. Liberace morreu aos 67 anos, em quatro de fevereiro de 1987 por complicações da AIDS.

Confira aqui uma de suas performances:

QUEM TEM MEDO DE SUE SYLVESTER?

"losers!"

Acho que essa é a primeira vez na vida que realmente simpatizo com uma professora de educação física. Sério. A Sue Sylvester, personagem da (ótima) atriz Jane Lynch no Glee, é simplesmente sensacional: tem as melhores tiradas, é malvada, inescrupulosa, sarcástica, politicamente incorreta e, agora, iconográfica. A essa altura, todo mundo na Terra deve estar sabendo que a série voltou ao ar essa semana, em sua segunda temporada, batendo recorde de audiência e causando frisson na mídia por causa do tão-comentado e tão-esperado episódio “The Power of Madonna”, que vai ao ar terça-feira que vem. E como prévia desse episódio aguardadíssimo (seja pelos fãs de Glee como pelos fãs da Madonna), no final do episódio da última terça foi exibida a refilmagem que parte do elenco fez para o clássico clipe de Vogue (vale lembrar que o original foi dirigido, nada mais, nada menos, por David Fyncher). E quem faz as vezes de Madonna? Sue Sylvester! O resultado ficou ótimo. E o episódio madônnico promete: tentando promover a auto-estima das meninas do grupo de líderes de torcida, as Cheerios, Sue Sylvester apela para as músicas da Madonna, tentando reforçar os motes que a própria cantora sempre pregou: confiança, ousadia, senso estético, self-empowerment. E o episódio todo (uma justa homenagem ao catálogo pop da cantora) conta com vários clássicos, majoritariamente dos anos 80, como Like a Virgin, Express Yourself, Like a Prayer e Vogue, além de outros hits mais recentes, como What it feels like for a girl e 4 Minutes.

estraga a pose ou strike a pose?

O que acho mais legal em Glee não é a história em si (que tem enredos bem simples, bem caricatos e até repetitivos), mas essa coisa de ressuscitar músicas que já estavam no limbo, como Don’t Stop Believing (quem se lembrava dessa música ou da banda Journey?), ou dar uma cara nova a sucessos recentes, como Single Ladies. Sem mencionar as músicas retiradas do repertório de musicais famosos, como Don’t Rain on My Parade (do filme Funny Girl, de 64, com a Barbra Streisand) ou Defying Gravity (do musical da Broadway, Wicked). E o mais legal é que as músicas se encaixam perfeitamente na história, que nem a própria Like a Virgin e outras músicas pop que foram tão bem encaixadas no roteiro do filme “Moulin Rouge”, por exemplo. Isso sem mencionar o fato de que os gleeks e toda aquela coisa de colégio são reminiscências da minha própria adolescência e me fazem olhar com compaixão pro passado: basicamente quem faz parte do glee club é o povo rejeitado da escola, seja a aluna negra obesa, seja o gay efeminado, seja o cadeirante, etc etc. Mas por causa do talento de cada um, eles se juntam pra cantar e isso é o que os faz sobreviver à tortura dos anos de colégio. Aliás, a revista Rolling Stone americana, que chamou o Glee de “gayest show ever”, disse que a série é uma mistura de “Liza With a ‘Z’” (musical da Liza Minelli) com “Carrie, a Estranha”.

Particularmente, não fui rejeitado na escola nem nada, mas nunca fui da turma popular e também fiz parte de uma “tentativa de coral”, querendo me destacar ou ser especial entre aquelas pessoas. Acho que por isso que sempre gostei desses filmes que se passam em escolas, tipo Mudança de Hábito II, sabe? Aliás, outro belo exemplo, pois a Lauryn Hill está ótima no papel da aluna problemática e hopeless que acaba se destacando como voz principal do coral da escola.

Diferentemente desses programas musicais pretensiosos, tipo American Idol ou o brasileiro Ídolos, nos quais o objetivo é promover cantores – muitas vezes profissionais – ao sucesso, Glee é assumidamente pastelão e usa canções e o imaginário pop (vide Sue Sylvester voguing) pra promover a vingança tardia de geeks, weirdos e freaks dos colégios de todo o mundo.

Ah, sim: vão usar Lady Gaga num próximo episódio…

"that's how Sue C's it!"