Arquivo da categoria: moda

POUPÉE BARBIE

por Maíra Thums

Em comemoração aos 50 anos da boneca Barbie (completou em 2009), o artista francês Jocelyn Grivaud recriou cenas famosas da arte com a imagem da boneca como protagonista. Desde esculturas, quadros, capas de discos entre outras manifestações artísticas modernas ou clássicas foram reproduzidas por ele.

O resultado completo pode ser conferido no site do projeto, onde cada cena recebe um link explicativo sobre sua história. A capa de disco do Bob Dylan, busto de Nefertiti , uma foto icônica de Guy Bordin, Avatar, Monalisa…

JAQUETA QUE MUDA DE COR

por Maíra Thums

 

A cada dia encontramos novidades dentro da indústria têxtil e, apesar disso, a surpresa diante de algumas inovações nos faz sentir como crianças. Experimentei essa sensação ao assistir ao vídeo da Stone Island sobre o lançamento de uma “simples” jaqueta: a “Ice Jacket”.

A tecnologia desenvolvida permite que a jaqueta mude de cor conforme a sua temperatura. Originalmente, o modelo é amarelo, mas ao receber partículas de gelo, frio ou chuva, um pigmento escuro é fantasticamente espalhado pelas fibras, tornando-a completamente preta. Esse tipo de material é chamado de termo cromático, e dá pra entender o porquê.

A marca surgiu em 1982 e, desde então, mantém um compromisso com a tecnologia dentro dos segmentos de vestuário para baixíssimas temperaturas. Para comprar é só visitar o site da Haven.

A TECNOLOGIA QUASE INVISÍVEL DA MODA

por Maíra Thums

Talvez algumas pessoas ainda não tenham ouvido falar nessa palavra aí em cima, ainda mais quando relacionada à moda. Mas a nanotecnologia é um das fatores que mais contribuem para o grande avanço tecnológico na indústria têxtil.

A palavra nano é um prefixo grego que quer dizer anão e se refere ao nanómetro, uma unidade de medida que equivale a um bilionésimo do metro. Ou seja, é uma tecnologia que estuda os micro átomos e moléculas, beirando a física, química, biologia, ciência dos materiais, simulação e modelagem computacional. Mas o que isso tem a ver com moda?

A partir de inúmeros estudos, foram desenvolvidas novas funcionalidades para os tecidos. Na lista de feitos, além de invenções malucas, o que mais chama a atenção é a qualidade e o melhor desempenho dos materiais, como por exemplo a reação à transpiração e maleabilidade.

Sutiãs cujos bojos liberam micro partículas de aloe e vera e agem na hidratação da pele são um exemplo que já está no mercado brasileiro há algum tempo. Os maiôs que os nadadores usam para facilitar a movimentação na água, aumentando sua agilidade devido às microescamas em determinadas partes da peça é outro caso conhecido.

O universo pop não fica de fora dessa onda tecnológica. Vejam só o caso do festival de música Glastonbury, que apresentou uma camiseta capaz de carregar a bateria de aparelhos celulares com a energia gerada pelo som do próprio festival!

Como o evento foi realizado a céu aberto em um local de difícil acesso, os organizadores não quiseram deixar ninguém sem bateria. Afinal, de que outro jeito os fãs poderiam tirar fotos dos shows e publicar nas redes sociais?

Outro caso é a jaqueta da grife Zegna, que carrega qualquer aparelho eletrônico: celular, iPod, iPhone… A mágica acontece através da energia solar, por meio de uma pequena placa implantada na gola, nos punhos e nas costas.

Por enquanto, isso tudo custa muito caro e não se encontra em qualquer shopping. Mas a gente já pode esperar! 🙂

HISTÓRIA DA CAMISETA: DE 1930 ATÉ HOJE

por Maíra Thums

Será que alguém consegue viver sem uma camiseta no armário? Impossível, né? Estamos acostumados a conviver com essa peça, mas não é de hoje que ela protagoniza nossas vidas.

As t-shirts surgiram na década de 1930, quando resolveram cortar ao meio os jumpsuits ou union suits, usados por baixo das roupas masculinas. Mas calma, o processo não foi tão traumático, demorou algum tempo para que a camiseta saísse de baixo dos paletós.

Podemos dizer que a camiseta que conhecemos hoje é a evolução da roupa de baixo. Nos Estados Unidos, ela ficou muito popular, principalmente entre os soldados da marinha americana e os trabalhadores de minas, pois a fácil adaptação e transpiração proporcionavam conforto e versatilidade.

Depois disso, Marlon Brando apareceu usando uma tee, aí bastou para o popular se tornar fashion, cool e virar sinônimo de estilo.

Já no começo dos anos 50, a Tropix Togs foi a primeira empresa a licenciar a imagem de um personagem pop, no caso, Mickey Mouse e Davy Crockett. O sucesso foi imediato.

Na sequência, nos anos 60 e 70, muitas outras empresas começaram a estampar camisetas. Nessa época, os surfistas californianos adotaram a peça, e aí a evolução veio com o tie-dye, frases de impacto, imagens de líderes mundiais e bandas que representavam o sentimento dos rockers daquele período. Os skatistas também seguiram essa tendência que impera até hoje.

Tratando-se de propaganda, as coisas não mudaram muito de lá pra cá, por incrível que pareça. A linguagem de venda ainda é muito parecida, apesar de hoje o apelo ao público jovem se equilibrar com outros lifestyles.

Essas campanhas são da década de 70 e 80 e valorizam muito o uso “em família” ou a versatilidade da mesma peça.

Assim surgiram as nossas tão amadas camisetas que a qualquer hora e lugar caem bem, ainda mais se combinada ao bom e velho jeans. Uma, duas, três… tees nunca são demais! 🙂

ESTAMPA TENDÊNCIA

Você já conhece a estampa de máscara de gatinho da Alguns Tormentos, né?

Pois veja só, nos desfiles da semana passada do Fashion Rio, várias marcas legais também apresentaram estampas com animais estilizados:

Ausländer

Ed Hardy

Ellus 2nd Floor

Giulia Borges

Giulietta

Tendência? Sem dúvida! Aproveite que o modelo da Tormentos está em liquidação! =)

A ANTECIPAÇÃO DA MODA BRASILEIRA

por Eduardo Biz

(post desenvolvido com exclusividade para PensoModa)

Alexandre Herchcovitch - Hussein Chalayan

Alexandre Herchcovitch reina absoluto no atual trono de maior estilista brasileiro. Tecer elogios sobre cada lançamento seu virou lugar-comum na imprensa e na crítica especializada. Na posição confortável de quem já não precisa provar nada a ninguém, o estilista sabe como fortalecer sua identidade a cada estação, estabelecendo por meio dos seus signos os denominadores comuns que formarão o alicerce de uma temporada inteira.

Na última edição do São Paulo Fashion Week, que aconteceu em junho, o estilista desfilou sua coleção de Verão 2011 norteada, sobretudo, pelas cores. Seu precioso trabalho de modelagem, reflexo do seu domínio da técnica, foi permeado por um estudo rigoroso de colorista, forte o suficiente para antecipar em quase 4 meses o que vimos nos últimos dias nas passarelas internacionais.

Herchcovitch - Gucci

Brasil antecipando tendências para o mundo? Difícil afirmar, especialmente nestes tempos de libertação de ditaduras no design. Mas é inegável perceber que os olhos do Hemisfério Norte estão abertos e bem atentos aos hábitos tupiniquins. Nesta semana, a Vogue Itália publicou em seu site um artigo sobre o estilo da presidenciável Dilma Rousseff; a revista Wallpaper dedicou a capa e boa parte do conteúdo de sua edição de Junho ao Brasil; nossa moeda foi apontada pelo Financial Times como principal alvo dos investidores em mercados emergentes. A bola da Copa 2014 já começou a rolar nos risonhos lindos campos daqui.

Herchcovitch - Fendi

As cores utilizadas na última coleção de Herchcovitch sintetizam de maneira bem gráfica toda a cartela relevante do Verão 2011. O brilhantismo deste profissional nos faz questionar o calendário da moda e sua própria engrenagem, que insiste no ranço de se deixar guiar pelos desfiles europeus. Sua capacidade de captar o zeitgeist com precisão cirúrgica pode ser comprovada pelas fotos que ilustram este post.

Herchcovitch - Dsquared²

Coincidência? Inconsciente coletivo? Não é essa a discussão. A temporada brasileira é lançada antes da internacional, e esta antecipação é tangível. Basta querer enxergá-la, valorizando a moda autoral brasileira, cujo poder de convicção começa a ser sentido além das fronteiras.

Herchcovitch - Felipe Oliveira Baptista

Herchcovitch - Pedro Lourenço

Herchcovitch - Prada

JANELA DA ALMA

não tire esses óculos, use e abuse dos óculos, já cantaria Roberto Carlos!

Pra uma pessoa como eu, autêntico míope, usar óculos representa muito mais do que simplesmente adornar-o-rosto-pra-dar-um-ar-de-intelectual. Não, não. A bem da verdade, até gosto dessa aura que as pessoas criam em torno de quem usa óculos. É divertido! Uma vez me contaram que foi registrado numa pesquisa aí que pessoas que usam óculos são também consideradas “mais confiáveis”. Humm, pode ser, mas ainda prefiro associar confiabilidade a um bom e firme aperto de mão do que a uma bela armação de grife…

Anyway. Fato é que, como realmente preciso usar óculos, resolvi, há certo tempo, tornar esse fardo um pouco mais divertido. Se não pode vencê-los, escolha os melhores! Inicialmente tinha birra daquela modinha horrível de óculos minúsculos, do tipo “quanto menor, melhor”. E aqueles que parecem que não têm armação? Affe! Das duas, uma: se é pra não usar óculos, apóio as lentes de contato; mas se é pra usar, que sejam grandes e vistosos, com cara de óculos mesmo, sem disfarces e pudores.

E mesmo ressentido dessa modinha de óculos grandes que vingou de uns tempos pra cá – gente usando óculos só pra compor visual nerd fake na balada, coisas assim – continuo fanático por belas armações. E se você é assim como eu, dê uma olhada nesses sites: a marca britânica Cutler and Gross  tem modelos elegantíssimos, mas caros. Já a brasileira Absurda tem modelos bacanas, inclusive inspirados e batizados com nomes de lugares célebres, tipo Rua Augusta, Benedito Calixto, etc. E finalmente, tem o site da americana Warby Parker, que já começa bacana no nome, inspirado em dois personagens do Kerouac. Eles têm modelos fantásticos e surpreendentemente baratos. A proposta da marca é justamente ir contra a maré de armações extravagantemente caras e oferecer um produto de qualidade a um preço acessível. Sem contar que ainda há um fundo filantrópico: a cada par de óculos vendidos eles doam outro pra instituições estrangeiras que cuidam da visão daqueles que não podem bancar consultas e os próprios óculos. Legal, né?

quatro olhos!

E por fim, em homenagem a todos os amantes de óculos do mundo, um trecho do documentário Janela da Alma (2001), de João Jardim e Walter Carvalho, que retrata justamente pessoas como eu, que enxergam o mundo por meio deste enquadramento dos óculos. De Wim Wenders ao já saudoso Saramago, entre outros, cada um com seu par inseparável de lentes, a visão do mundo por meio desses relatos se revela mais lúdica e interessante: do uso de óculos e suas implicações sobre a personalidade à questão da saturação de imagens que o mundo joga nos nossos olhos. E como diria Da Vinci, o olho é a janela da alma, o espelho do mundo.