NOSSOS 20 E POUCOS ANOS

Elegante.

Não consigo pensar numa palavra melhor para descrever o novo disco da Adele.
Nem tenho muita moral pra opinar sobre a discografia da cantora, uma
vez que, de seu primeiro disco, 19, poucas músicas realmente me
conquistaram, como Chasing Pavements. Na época, Adele ganhou
vários prêmios do tipo “cantora revelação do ano”, além do efeito
colateral de ser comparada à sua compatriota Amy Winehouse, pela voz e
pelas pitadas de soul e blues em seu repertório. Na mesma época, também estava despontando a Duffy, com um disco igualmente
elegante.

Só que algo em Adele a diferenciava muito de suas colegas de
profissão. Mesmo jovem, ela parecia e soava muito mais madura e autêntica. Por
essas e outras, esperei com certa expectativa esse seu segundo disco.
E cá entre nós, todo mundo sabe da famosa “pressão do segundo disco”
que os artistas de primeira viagem carregam nas costas – Duffy, por
exemplo, foi extremamente infeliz em Endlessly, lançado recentemente.
E eis que, no final do ano, Adele lança Rolling in the Deep. Mais
agitada do que qualquer música de seu debut, mais sofisticada também,
a música me conquistou à primeira audição – mérito, entre outras
coisas, de seu incrível refrão e dos ótimos backing vocals à la Dusty Springfield.

Agora, quando já andava desesperançoso de voltar a ouvir um disco que
mexesse comigo, quase descrente na possibilidade de um artista voltar
a me emocionar com um disco daqueles que consideramos perfeitos (ou quase), eis que o disco novo, 21, vaza e eu não consigo parar de achar motivos
pra gostar de várias de suas canções.

Continuam ali a voz e o piano de Adele, capazes de mágica. Mas agora
há mais dor e fúria nas letras, mais maturidade. Pelo visto, envelhecer e sofrer desilusões amorosas têm feito muito ‘bem’ à cantora. Não é à toa que o título do disco volta a fazer referência à sua idade. E musicalmente, agora também há elementos de country, melancólicos.

Quando só há praticamente voz e piano, como em Turning Tables ou
Someone Like You, a elegância é mais pungente e não há saída a não ser
se render à fantástica voz de Adele. Quando a produção adorna um pouco
mais as canções, o resultado não chega a desconfigurar a simplicidade
das música, como na balançada I’ll be Waiting ou Rummor Has It. Se
cordas podem acrescentar mais beleza ainda, temos então Don’t You
Remember e Hiding My Heart. Isso sem mencionar o coral em One and Only e o cover de Lovesong, do Cure. Glorioso.

E se você pensa que esse repertório e que a produção de gente como Rick Rubin (Johnny Cash, Red Hot Chilli Peppers), Paul Epworth (Florence and the Machine) e Ryan Tedder (One Republic) não pode ficar melhor, vem Set Fire to the Rain, uma das melhores do disco. Tem drama, tem apelo, tem potência. Daquelas músicas que você escuta com fones de ouvido na rua e tem vontade de
cantar alto, quase gritando, pra todo mundo ouvir e se emocionar como
você. Aposto que vai virar single.
E depois de ouvir o disco inteiro, fica a vontade de voltar no tempo e ter 21 anos de novo, pra viver todo esse acúmulo de drama e intensidade que jovens artistas como Adele, por vezes acusada de “não representar a idade que tem”, conseguem expressar tão bem em forma de arte.

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3 Respostas para “NOSSOS 20 E POUCOS ANOS

  1. Set Fire to the Rain é o próximo single dela 🙂

  2. Então, eu confesso que falta alguma coisa pra ela me conquistar, sabe. Mas vou dar um voto pro novo disco depois de ler seu texto, Rê! 🙂

  3. Pois é! Também sentia que faltava algo a mais pra ela me conquistar, porque o primeiro disco, pra mim, era deficiente em alguma coisa – não sei se em personalidade, se em catchy tunes… Mas este último me deixou bege, tipo, alguém de 21 anos ter essa voz, cantar com tanto sentimento… Enfim! 🙂

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