EU QUERIA SER COMO O OZZY

por Angélica Bito

 

Sempre digo que, para que uma pessoa goste de Heavy Metal, ela precisa ter gostado disso aos 12 anos. Me parece uma idade muito crucial para gostar de Metal. Nunca vi nenhum cara que, aos 27, vira e fala: “estou conhecendo umas músicas novas e curtindo, são de bandas de Metal”.

Eu não gostava muito de Metal quando tinha 12 anos. Na realidade, gostava era de Nirvana. Mas gostei de coisas similares: Guns N’ Roses, Skid Row, um pouco de Black Sabath. Mas o que mais conhecia de Ozzy Osbourne antes de ler Eu Sou Ozzy vinha do reality show The Osbournes, uma megafebre em meados da década passada.

Não havia muitos motivos, portanto, que me levassem a comprar uma edição de Eu Sou Ozzy, perceba. Mas tantas pessoas realmente bacanas falaram tão bem desse livro pra mim que me joguei de cabeça. Não liguei para a cara de choque de outras quando eu dizia que queria ler ‘o livro do Ozzy’. Porque, você sabe, existe muito preconceito em relação ao Metal. Conheço muito indie mala que ouve Kenny G em casa e fica falando que a banda favorita é Sonic Youth. Tudo bem, até aí, mas pelo menos admite que curte Kenny G. Depois de uma idade, admitir que você curte umas coisas que nem são tão bem vistas é libertador. Como quando cantei Paramore no videokê. Mas isso é caso para outro post. O fato é que devo ter chegado a essa idade e assumo, em público, que um dos melhores livros que li nos últimos anos chama-se Eu Sou Ozzy. E vou te dizer por quê.

Ozzy Osbourne é um sobrevivente e, rapaz, qualquer pessoa que sobreviva a décadas de rock’n’roll, sexo e drogas – tudo isso vivido intensamente -, só deve ser um cara protegido por Deus ou qualquer outra coisa que exista nesse mundo. De uma forma extremamente engraçada, como se estivesse conversando com o motorista ou o presidente de alguma gravadora, Ozzy – com a ajuda mais do que necessária do jornalista Chris Ayres, que o ajudou a organizar as ideias e histórias em meio a décadas de drogas e memórias perdidas por elas – narra acontecimentos notáveis em sua vida.

Ozzy não é nenhum herói e nem tenta enganar alguém; ele sabe que não é um santo e está tudo bem. Mas pelo menos o cara tem senso de humor e isso é mais do que essencial em qualquer ser humano, deveria vir de fábrica. Deveria, mas não vem, infelizmente. Ozzy, no entanto, veio com esse item. Ele sempre foi o destaque no Black Sabbath não somente por ter sido o vocalista – figura que, naturalmente, atrai as atenções numa banda -, mas por essa presença de palco, essa falta de pudor que tanto atrai nossa atenção. Ozzy é um louco, se meteu nas situações mais malucas ao longo de sua vida e é isso que acompanhamos de forma clara e divertida em ‘Eu Sou Ozzy’.

A narrativa é fluida, as histórias são interessantes e extremamente engraçadas. Mas, além de ser maluco, Ozzy é um cara apaixonado: pelas drogas, pela música, pelos filhos, por Sharon, pelo rock. Portanto, o livro tem dois elementos que deveriam guiar a vida de qualquer pobre coitado que resolva sobreviver, como eu e você: paixão e humor. Existem passagens tristes, duras, porque não há vida bem vivida sem os espinhos, certo? Mas existe também uma coisa meio No More Tears (sim, eu tinha de citar o nome de uma das músicas do Ozzy), não de conformismo, mas de entendimento mesmo, de amadurecimento. Ozzy é um cara que viveu e isso é sempre bom de se ver.

Você pode ser um daqueles indies malas. Talvez eu também seja. Não tem problema, desde que viva bem com isso. Mesmo pra você, é esse o conselho que dou: dê uma chance a Eu Sou Ozzy. Não tem como não admirar Ozzy Osbourne por ele ter superado tantas coisas e ainda ser um tremendo de um milionário, ter uma família bacana e ainda escrever um livro como este.

Eu Sou Ozzy

Ele é Ozzy

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3 Respostas para “EU QUERIA SER COMO O OZZY

  1. Amiiiiga, que lindo texto!
    Todos os jornalistas podiam escrever lindamente como vc. Mas acho q isso é privilégio de pessoas lindas! =D

    Nossa, Black Sabbath pra mim é muito infância pq meu pai é fã e eu cresci ouvindo com ele. Até hoje não dispenso assistir a um DVD do Black Sabbath com meu pai. Além de ser uma banda incrível, é um momento preciosíssimo tipo “me and my dad”.
    E eu nunca amaria tanto música se não fosse meu pai.

    Eu tô amando muito o livro e lendo devagar pra não acabar. haha
    Se me permite, preciso dizer que a tradução é MEIA BOCA!
    Como assim traduzir “audience” como AUDIÊNCIA?
    ALÔ?

    :*

  2. pôxa, amiga, q fofis. obrigada! mesmo! como não escrevo mais tanto quanto antes, essas manifestações são bem importantes!
    bem, meu pai gosta de MÚSICA JAPONESA. tive uma criação bem atípica em relação a música: não ouvia beatles nem roberto carlos em casa, muito menos black sabbath. mas tudo bem. por outro lado, quero criar laços desse tipo com meus filhos. é algo bem bonito de se ver. espero tê-los para experimentar isso um dia. 🙂
    bjos, linda!

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