FEELING SINISTER, ALWAYS

por Samanta Alcardo

Foi lendo esse texto que me inspirei a finalmente terminar um post que estou rascunhando há semanas.

Comecei a tentar descrever o que exatamente o Belle & Sebastian significa para mim. Ok, espero que as pessoas não enjoem de ler sobre essa banda aqui. Foi quando assisti ao vídeo que a banda disponibilizou em sua página oficial para divulgar o disco novo. Fiquei toda envolta em muita ternura e amor, aquelas coisas que a gente sente quando vê pessoas queridas que não via há um tempinho. E então fiquei discutindo a relação na minha cabeça, analisando toda a minha “história” com a banda.

Foi um dia em 1997 ou 1998 que eu li sobre um disco de capa vermelha com nome interessante: If You’re Feeling Sinister. Uma resenha do Zeca Camargo na Showbizz. Ele falava bem do disco, mas nem foi isso que me pegou; o título é que ficou na minha cabeça.

Fui atrás. Lembro de ir numa Siciliano e pegar o cd pra ouvir. Quando escutei o piano de Seeing Other People foi assim mágico. Nunca tinha ouvido nada parecido. Até então eu só ouvia Nirvana e Alanis. Eu morava no interior e o acesso ao mundo melhor era, digamos, bem restrito.

E aí comprei esse disco. E depois todos os outros.

Desde então, Belle & Sebastian é minha banda favorita e isso nunca mudou. Foi a banda que me incitou a fazer uma primeira tatuagem, a vontade de marcar algo pra sempre. Quando tento identificar exatamente por que, só consigo pensar numa coisa: os discos me mostraram quem eu era. Isso numa época em que eu não fazia a menor ideia do que era, que bandeira levantava, o que não queria ser. E aquelas letras que contavam histórias de pessoas tímidas, esquisitas, com sentimentos simples que não se encaixavam no “todo” me pegaram no colo e não me soltaram nunca mais.

Mary Jo é uma letra que, a meu ver, descreve exatamente o que sou até hoje (eu não mudei muito desde 1998, que bacana). Lembro de fazer uma camiseta com a capa do If You’re Feeling Sinister e exibi-la toda orgulhosa na faculdade. A faculdade, aquele lugar no qual eu me sentia um perfeito extraterrestre.

Até um dia vir um moço que sentou ao meu lado e me perguntou “você gosta de Belle & Sebastian?”. Oh Deus, o mundo tem um lugarzinho pra mim. Obrigada, Stuart Murdoch.

O que mais eu amo são as histórias. Os nomes das pessoas nas músicas, a maneira de descrever sentimentos de um jeito tão simples, porém nunca óbvio. As historinhas nos encartes, as fotos. As palmas.

E aí vieram os blogs. Eu já sabia quem era; escrever sobre algo conhecido fica bem mais fácil. E conhecer pessoas afins também.

Hoje, quando ouço qualquer disco/EP da banda, a sensação que eu tenho é de estar ouvindo algo que faz parte de mim, que é familiar e que nunca vai me abandonar. Por mais que eu tenha adoração por outros artistas, é só com o Belle & Sebastian que eu sinto isso.

Eu acho que quem ama música sempre encontra uma banda “alma gêmea”. Eu tive a sorte de encontrar a minha num momento em que eu nem sabia que precisava de uma.

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11 Respostas para “FEELING SINISTER, ALWAYS

  1. que texto lindo, sá! parabéns. : *

  2. Rolou um arrepio por aqui, Sá. Coisa linda esse texto!

  3. olha arrepiei aqui,também amo B&S. texto lindo.

  4. Oi Samanta!
    Coisa fofa esse post. Eu também tenho um carinho enorme pela banda, pelas músicas e pela delicadeza dos clipes. Acho que tem muita gente por aí que se encontrou nas letras do Belle & Sebastian. O mundo não está perdido.
    😛
    Beijos

  5. Belíssimo texto! Me fez viajar num tempo próximo de 1997 🙂 Bem que Alguns Tormentos poderia fazer umas estampas a la Belle and Sebastian. Joli.

  6. to mto chocada com como tá lindo este post. e como sou ATRASADA nos comentários óbvios, mas não podia deixar de registrar a satisfação ao ler este texto. 🙂

  7. ps: os meus comentários são meio q sempre óbvios. OS MEUS. dibôa.

  8. Fiquei emocionado ao ler o seu texto, Marijó (desculpe, agora só consigo te chamar assim, culpe o Paulo). Você falou um monte de coisa que sempre passou na minha mente e, tenho certeza, de muitos fãs do B&S.

    Penso em escrever sobre a banda desde que ouvi o disco novo, algo como um aperitivo para o show, mas depois achei melhor guardar para depois do show.

    Mas acho que você resumiu tudo o que eu pensava, tudo o que eu sinto. É incrível como o sentimento a respeito desses caras pode ser tão particular e, ao mesmo tempo, tão coletivo.

    Lembrei do que a gente tava conversando na mesa do Ibotirama, lembrando as pessoas que conhecemos, os show que vimos, os passeios que fizemos. Tudo por causa dessa banda.

    Beijo!

  9. Me identifiquei com o texto. I do feel sinister. Fiquei curiosa sobre a banda e já estou vendo algumas músicas… Se uma conexão acontecer mesmo que sendo 1/10 da intensidade da que você tem com a banda… obrigada.

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