SOBRE PAUL AUSTER E GUIDED BY VOICES

O grande Paul Auster.

Que tipo de música você gosta de ouvir enquanto está lendo um livro? Qual a melhor trilha sonora para aquele momento sagrado da leitura? Eu estava pensando nisso hoje no caminho pro trabalho e agora, sentada com o notebookzinho no colo, me lembrei de uma duplinha de ouro. O grande Paul Auster combinado com o grande Guided by voices.

Paul Auster é realmente um grande nome. Escritor experiente, mago da ficção combinada com pitadas autobiográficas, um belo fumante, dono de olhos misteriosos e extremamente cool. Mas extremamente mesmo.

É bastante comum, para aqueles que querem começar a ler Paul Auster, pegar A trilogia de Nova York logo de cara. Eu também acho um bom ponto de partida e aconselho. Mas, com o tempo, a gente começa a perceber que a trilogia não é seu livro mais marcante. É um bom ponto de partida mas não é a essência. Paul escreveu outras obras, contos e romances, tão ou mais interessantes que a trilogia. As décadas de 80 e 90 foram bem produtivas para Paul. Mas enfim. Paul Auster é um escritor que merece ser descoberto com carinho e com paciência. Existe, por exemplo, todo um universo relacionado ao cotidiano das pessoas “médias” dos Estados Unidos no texto de Paul Auster, desenvolvido com um método bem eficaz de “a história dentro da história dentro da história dentro da história”. Na maioria das vezes, chega uma hora em que você já não sabe se aquilo que se passa na trama realmente está acontecendo com o personagem. A coisa toda evolui pro quase nonsense, pro irreal, pro subjetivo.  Eu te garanto, assim que você começar a explorar livros lindos dele como A invenção da solidão e O livro das ilusões, você vai perceber tudo isso aí.

E o mais interessante é que mesmo os seus livros mais recentes (dos anos 2000 pra cá) são muito, muito bons. O mais novo se chama Invisível e é uma pequena joia. Foi justamente lendo Invisível que eu descambei a retomar o som do também belo e extremamente cool Guided by voices. Na época, eu estava me reaproximando de um disco deles de 1995, chamado Alien lanes. E rapaz. Que discão. Eu fui fuçar uns videozinhos do Guided no Youtube e li um comentário tocante, com o qual me identifiquei: a pessoa comentava que explorar Guided by Voices “it’s like hearing your neighbour’s radio and he’s changing station everytime your favourite song starts”. Na verdade, a pessoa se referia à forma simples como o Alien lanes foi gravada, quase que (na minha opinião, pelo menos) totalmente caseira  – daí a sensação de escutar o rádio de seu vizinho -, e às músicas de pequena duração. A maior parte das canções de Alien lanes dura um minuto, um minuto e meio, às vezes menos de um minuto. Músicas perfeitas e breves. E o melhor: os discos do Guided em geral têm 28, 30 músicas.

A cabeça por trás do Guided by voices é o senhor Robert Pollard. Pollard é um criador incansável, pra mim quase um mito. E ex-professor, believe it or not. A discografia do Guided é imensa (eu já contei quase 70 discos, entre EPs, discos inteiros, discos ao vivo; olha esse site aqui). E o senhor Pollard lá, sempre compondo, firme e forte. Comece ouvindo Alien lanes, de 1995. Depois vá para Bee thousand, de 1994. Em seguida você pode ouvir o belíssimo Devil between my toes, de 1987. E por aí vai. Não esquece do Paul Auster pra combinar. ; )

O grande Bob Pollard.

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2 Respostas para “SOBRE PAUL AUSTER E GUIDED BY VOICES

  1. Nunca li Paul Auster, mas pela descrição parece meio Henry Miller…? Será?

  2. puxa, e eu nunca li henry miller.. ficaremos com essa dúvida PRA SEMPRE haha! : *

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