MESMO FILME, SABORES DIFERENTES

Cena de 'Vida de Solteiro'

“How does stuff get so complicated? I don't know.” (cena de 'Vida de Solteiro')

Sou super a favor de ver filmes mais de uma vez. Ver um filme é uma experiência tão pessoal que muda não somente de acordo com o olhar de cada espectador, em particular, mas também em cada fase da vida em que estamos.

Por exemplo, a primeira vez que assisti a Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, conclui que as memórias dos relacionamentos que passam são sempre importantes, no fim das contas (até escrevi sobre o filme na época, veja). Estava num momento de “entre safra” entre relações; sem mágoas, rancores e coisas que só fazem com que nosso coração fique amargo, como o de Joel Barish. Revi novamente alguns anos depois, totalmente de bode com namoro que havia terminado recentemente, e tudo que queria, naquele momento, era contratar o Dr. Howard Mierzwiak para apagar o tal do ex da minha mente. Mesmo filme, sabores diferentes.

Outro que causa este tipo de efeito em mim é ‘Vida de Solteiro’. Assisti a este filme pela primeira vez lá pelos idos de 1996. Tinha 15 anos, coitada, mal sabia o que era um namoro, ou terminar um. O que me chamou atenção nesse primeiro encontro com o filme de Cameron Crowe foi como ele era todo “cool” e como eu queria ser como aqueles personagens quando eu chegasse aos 20 e poucos anos. Alguns anos depois, a única coisa que conseguia ver naquele filme era como relacionamentos fracassam tão facilmente. Quero dizer, é tão fácil assim um namoro acabar? Sim e é exatamente por isso que admiro tanto esse filme simples de Crowe. Principalmente porque, com simplicidade, personagens malucos (mas possíveis), diálogos sensacionais, uma trilha sonora incrível e alguns corações dilacerados, Vida de Solteiro aborda o que é real. Mais uma vez, mesmo filme, mas com sabores diferentes.

Agora, na segunda vez que vi o terror Carrie, A Estranha, saquei toda uma questão meio sexual que permeia não somente a cena de abertura, aquele traveling maravilhoso no vestiário feminino, mas na própria personagem, tão violentamente reprimida nesse sentido. Quando revi Cemitério Maldito em 2004 – um filme que me assustou muito quando eu era criança -, fiquei com dó de mim: não é tão assustador assim. A gente aprende a encarar nossos medos, além de tudo.

É um exercício bem bacana rever filmes pra gente entender, também, como evoluímos com o passar dos anos. E você, qual filme pretende experimentar novamente, mas com novos sabores?

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6 Respostas para “MESMO FILME, SABORES DIFERENTES

  1. Aline Dalla Vecchia

    Um dos filmes que tenho vontade de ver novamente é o Vida de Solteiro mesmo. Na época tive a mesma reação que você, de querer ser cool como eles nos meus 20 anos.

  2. AMEI esse post! Confesso que tenho receio de rever filmes que marcaram a minha memória de criança, pois esse olhar adulto e maduro e vivido torna as coisas sem graça às vezes. dois exemplos: eu amava Os Muppets Conquistam Nove York e Barrados no Baile (a série); fui assistir dia desses e fiquei bege, imaginando qual graça eu tinha visto nas duas coisas… Por outro lado, posso assistir Magnolia ou Amélie zilhões de vezes e sempre vou me deleitar!

  3. Belo post, amiga! Eu já revi Pulp Fiction muuitas vezes e sempre acho o filme mais e mais genial. Um que eu quero rever mas tenho um pouco de receio é Magnolia, pq qdo vi achei muito muito forte e perturbador (no bom sentido, no fim das contas). Um que quando vi a primeira vez (sessão da tarde!) e não dei muita bola foi Edward Mãos de Tesoura. Anos depois revi e achei tão tocante e incrível! 😀
    :*

  4. nossa, que legal, galere, adoro fazer todo mundo refletir, hehe! 🙂

  5. tenho a mania de fazer este exercicio de rever filmes em várias epocas da minha vida. sempre percepções diferentes das iniciais. gostaria de rever daqui uns 10 anos 500 days of Summer, quando não ais me incomodar.rs. e também “Pi” do Darren Aronofsky. mas meu filminho de cabeceira, que eu sempre recorro é Away From Her. tá lá pra ser visto e revisto em vários momentos.

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