UMA PAUSA PARA A TV

por Angélica Bito

Não sei se estou em crise, mas andei pensando em algo cinematográfico para escrever esta semana, mas não veio. Deve ser porque minha cabeça está muito na convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo. Então, resolvi falar sobre outro tema que me agrada muito: séries de TV. E tem uma que, embora não seja exibida no Brasil (e ainda não sei por que), conquistou meu coração.

Parks and Recreation é a nova série criada por Greg Daniels, responsável pela versão norte-americana de The Office – cujo amor já foi declarado aqui neste espaço pela amiga Renata Consegliere (não é a primeira vez que alguém a cita, é assim que a gente percebe quando uma pessoa fala coisas pertinentes!). Temos aí elementos que se repetem em ambas as séries: o estilo ‘mocumentário’ (falso documentário), a vida dentro do ambiente de trabalho e o toque de Midas de Daniels. Como fã de The Office, era uma aposta certeira baixar Parks and Recreation – sim, eu BAIXO porque nenhum canal tem a DIGNIDADE de exibir a série aqui (incorporei a revolucionária agora).

Parks and Recreation é ambientado no departamento de parques e recreação da prefeitura da pequena cidade norte-americana de Pawnee. Leslie Knope (Amy Poehler, genial, como sempre) é a vice-prefeita do departamento e ganha a tarefa de transformar o enorme buraco de uma obra abandonada num parque, mas alguns vizinhos se opõem à ideia. Mas, resignada, ela não desiste da tarefa. Este é o ‘plot’ da primeira temporada, mas a segunda já  toma outros rumos, como se eles mesmos estivessem desencanado do buracão. 

Leslie é Michael Scott (protagonista de The Office vivido pelo gênio Steve Carell) de saias. Existe uma inocência em ambos os personagens que os torna completamente fascinantes e incrivelmente hilários. Na primeira temporada de The Office, essa inocência do Michael o levava a algumas situações de humilhação pública para seus funcionários; era mais incômodo do que cômico, o que foi evoluindo ao longo da série, tornando-a cada vez melhor. Leslie é sua versão mais evoluída, mais parecida com o Michael das temporadas mais recentes (note: adoro acompanhar a evolução psicológica dos personagens nas séries e filmes em geral). 

O humor de Parks and Recreation é construído por meio de sutilezas, assim como ocorre em The Office. A série explora a burocracia governamental que atrapalha pessoas inocentes e bem-intencionadas como Leslie, sem assumir uma postura crítica ou chata graças ao cinismo. Ah, o cinismo, sempre salvando a vida dos bem aventurados e de bom coração, fãs desse tipo de humor feito de pequenos detalhes. 

Parks and Recreation já caminha para a terceira temporada e, repito, NÃO É EXIBIDO NO BRASIL. Descobri que a Universal chegou a agendar o lançamento da primeira temporada da série no Brasil – provavelmente, em DVD; a Universal também lança The Office em home video por aqui – em 2009, mas acabou suspendendo, sem previsão de nova data. Me parece ser mais um exemplo de tesouro que acaba sendo escondido por executivos brasileiros que não têm noção nenhuma do que é bom nesta vida. Tipo o FX, que exibe The Office em horários completamente capengas – só agora eles resolveram voltar a exibir a série num horário fixo (a saber: domingos, às 21h). Uma pena. Mas a internet é uma benção principalmente por nos dar essa liberdade de conhecer o que nos impedem, o que era impossível de ser experimentado há 20 anos.

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