1986 FEELINGS

por Renata Consegliere

Eu não entendo absolutamente nada de futebol, meu amigo. Nada. Tenho um time do coração, porém: Palmeiras. Só que não faço a menor ideia do que acontece com o verdão. Se você me disser que o Palmeiras está disputando uma vaga no quadrangular da terceira divisão pelo paulistinha de várzea e vai jogar contra a Ferroviária, eu acredito. Acredito e até sou capaz de torcer pelo verdão em pensamento. Enfim. Sou um zero à esquerda. I couldn’t care less etc.

Mas em ano de copa do mundo a coisa muda de figura. Quase todas as copas, pra mim, sempre foram bem animadoras. Assisto a todos os jogos possíveis e até consigo deixar de balbuciar incoerências por alguns segundos e fazer comentários concretos, do tipo “nossa, aquele jogador REALMENTE estava impedido, foi uma boa observação do juiz”. Acompanho as rodadas, preencho tabelas (\o/) e mostro apoio incondicional a todo e qualquer tipo de decoração futebolística nos mais variados ambientes. Especialmente em padarias. Até coleciono figurinhas e blá blá blá. É como se eu me transformasse em um mutante.

Já deixei de tentar encontrar sentido nessa magia irracional que a copa do mundo exerce sobre minha pessoa. Acho que é uma mistura de pertencimento a um todo com algumas boas lembranças de infância. Soma-se isso ao clima legalzinho instaurado no trabalho, a ótimos blogs que passam a escrever sobre o assunto e temos aí algumas semanas de pura diversão.

A copa que mais me marcou, na vida, foi a de 1986. Eu tinha oito anos. E fiquei completamente obcecada com Diego Armando Maradona. Era incrível. Se você também acompanhou a copa de 86, deve se lembrar da sensação de ver Maradona correndo pelo gramado. Sozinho. Driblando a tudo e a todos. Girando, muito, muito rápido. Voando em direção ao gol. Maradona é o jogador que eu mais admiro (como se eu fosse capaz de conhecer a fundo a carreira de outros jogadores, pff). E devo dizer que toda a vida pessoal maradonística também me atrai, muito: sua esquisita ligação com a máfia napolitana, seu envolvimento com dörgas, seus períodos de depressão, a passagem pelos milhares de clubes europeus, suas idas a Cuba. Maradona devendo dinheiro pra Deus e o mundo, sonegando impostos. Maradona ganhando peso. Maradona tatuado.

Maradona é o tipo de jogador que tem vida. Ele exala vida por todos os poros. Pra quem viu nascer uma geração de jogadores politicamente corretos, especialmente a partir dos anos 90 – jogadores extremamente saudáveis, jovens, com carrão, que fazem dieta e são mal vistos se frequentam baladinhas -, Maradona acaba sendo um símbolo de espontaneidade. É exatamente esse aspecto incoerente que me atrai: ao mesmo tempo em que ficou marcado por uma vida pessoal atrapalhada, Dieguito fez milagres em campo. Fez história. Simplesmente assim. Espontâneo.

Beijos, Maradona! De uma admiradora que não entende nada de futebol, meu amigo. Keep walking.

Toda a magia de 1986. Yo soy Diego.

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3 Respostas para “1986 FEELINGS

  1. Aaaah Rena, vc me emocionou com esse post. :ó)
    Eu não lembro dessa copa (a primeira de que me lembro foi a de 94, pra ser bem sincera, e mto me lembro de chorar pencas qdo Galvão e Pelé ficavam pulando e gritando É TETRAAAAAA).
    Quisera ter tido o privilégio de ver Maradona jogar como vc descreveu! 🙂
    Mas eu tô mto contigo sobre essa magia da Copa, eu sinto o mesmo! Sou corintiana mas não sei patavinas do que anda acontecendo com o time, só gosto da Copa! haha Na copa de 2006 aconteceu um troço engraçado, eu trabalhava na Credigy, fomos dispensados e eu morrendo de fome não encontrei NENHUM lugar pra comer aberto (todos estavam fechados pq já tinha mta gente ocupando as mesas e vendo jogo do Brasil no telão). Aí eu fiquei putíssima, não tinha nada na geladeira em casa, daí tava andando pra casa e foi gol do Brasil; tipo a rua TREMEU com todo mundo gritando… foi mto mágico e eu até esqueci a fome.
    🙂

  2. Fechou muito bem o texto, é realmente seu “aspecto incoerente” que dá todo o seu charme.
    Bom texto, também sou uma das que acompanha apenas copa do mundo.

  3. ah, esqueci de colocar uma fota do dieguito TATUADO, fofis: http://globoesporte.globo.com/Esportes/foto/0,,21837004-EX,00.jpg
    e hoje fiquei emocionada com a entrevista do ronaldo, vcs viram? um jornalista fez uma pergunta tão babaca pra ele. e o ronaldo é completamente autêntico, cara. ele faz a linha meio maradona, eu acho. tb adoro ronaldão e tal. :******

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