QUEM TEM MEDO DE SUE SYLVESTER?

"losers!"

Acho que essa é a primeira vez na vida que realmente simpatizo com uma professora de educação física. Sério. A Sue Sylvester, personagem da (ótima) atriz Jane Lynch no Glee, é simplesmente sensacional: tem as melhores tiradas, é malvada, inescrupulosa, sarcástica, politicamente incorreta e, agora, iconográfica. A essa altura, todo mundo na Terra deve estar sabendo que a série voltou ao ar essa semana, em sua segunda temporada, batendo recorde de audiência e causando frisson na mídia por causa do tão-comentado e tão-esperado episódio “The Power of Madonna”, que vai ao ar terça-feira que vem. E como prévia desse episódio aguardadíssimo (seja pelos fãs de Glee como pelos fãs da Madonna), no final do episódio da última terça foi exibida a refilmagem que parte do elenco fez para o clássico clipe de Vogue (vale lembrar que o original foi dirigido, nada mais, nada menos, por David Fyncher). E quem faz as vezes de Madonna? Sue Sylvester! O resultado ficou ótimo. E o episódio madônnico promete: tentando promover a auto-estima das meninas do grupo de líderes de torcida, as Cheerios, Sue Sylvester apela para as músicas da Madonna, tentando reforçar os motes que a própria cantora sempre pregou: confiança, ousadia, senso estético, self-empowerment. E o episódio todo (uma justa homenagem ao catálogo pop da cantora) conta com vários clássicos, majoritariamente dos anos 80, como Like a Virgin, Express Yourself, Like a Prayer e Vogue, além de outros hits mais recentes, como What it feels like for a girl e 4 Minutes.

estraga a pose ou strike a pose?

O que acho mais legal em Glee não é a história em si (que tem enredos bem simples, bem caricatos e até repetitivos), mas essa coisa de ressuscitar músicas que já estavam no limbo, como Don’t Stop Believing (quem se lembrava dessa música ou da banda Journey?), ou dar uma cara nova a sucessos recentes, como Single Ladies. Sem mencionar as músicas retiradas do repertório de musicais famosos, como Don’t Rain on My Parade (do filme Funny Girl, de 64, com a Barbra Streisand) ou Defying Gravity (do musical da Broadway, Wicked). E o mais legal é que as músicas se encaixam perfeitamente na história, que nem a própria Like a Virgin e outras músicas pop que foram tão bem encaixadas no roteiro do filme “Moulin Rouge”, por exemplo. Isso sem mencionar o fato de que os gleeks e toda aquela coisa de colégio são reminiscências da minha própria adolescência e me fazem olhar com compaixão pro passado: basicamente quem faz parte do glee club é o povo rejeitado da escola, seja a aluna negra obesa, seja o gay efeminado, seja o cadeirante, etc etc. Mas por causa do talento de cada um, eles se juntam pra cantar e isso é o que os faz sobreviver à tortura dos anos de colégio. Aliás, a revista Rolling Stone americana, que chamou o Glee de “gayest show ever”, disse que a série é uma mistura de “Liza With a ‘Z’” (musical da Liza Minelli) com “Carrie, a Estranha”.

Particularmente, não fui rejeitado na escola nem nada, mas nunca fui da turma popular e também fiz parte de uma “tentativa de coral”, querendo me destacar ou ser especial entre aquelas pessoas. Acho que por isso que sempre gostei desses filmes que se passam em escolas, tipo Mudança de Hábito II, sabe? Aliás, outro belo exemplo, pois a Lauryn Hill está ótima no papel da aluna problemática e hopeless que acaba se destacando como voz principal do coral da escola.

Diferentemente desses programas musicais pretensiosos, tipo American Idol ou o brasileiro Ídolos, nos quais o objetivo é promover cantores – muitas vezes profissionais – ao sucesso, Glee é assumidamente pastelão e usa canções e o imaginário pop (vide Sue Sylvester voguing) pra promover a vingança tardia de geeks, weirdos e freaks dos colégios de todo o mundo.

Ah, sim: vão usar Lady Gaga num próximo episódio…

"that's how Sue C's it!"

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8 Respostas para “QUEM TEM MEDO DE SUE SYLVESTER?

  1. Nossa, amei demais a sua resenha. Glee é foi o que de melhor aconteceu em termo de série no ano passado e esse novo episódio chegou pra mostrar que ela está com fôlego renovado. Amo demais. As canções me tocam de uma forma profunda. Na época de escola fui da turma popular durante anos, mas terminei na turma dos anônimos no final do ensino médio e só quem já passou por isso sabe o quanto é doído ser ignorado.
    Bjo

  2. eu ainda não vi nada desse seriado, mas tenho vontade! :****

  3. tiagofioravante

    Ai ai, Glee tá demais!
    Se vai Ugly Betty mas fica Glee em seu lugar (ok, sem comparar as duas, mas apenas pela genialidade, kkk)!

    A Sue Sylvester lembra MUITO minha primeira professora de Ed. Física que eu AMAVA INCONDICIONALMENTE (mesmo ela sendo responsável por um dos meus traumas de infância e eu não sendo fã de esportes uhasuas). Mas ela era óitma.

    PArabéns pelo post!

  4. não tenho paciência pra GLEE, mas amo muito a sue sylvester! ela é gênia demais. e adoro os AGASALHOS dela! \o/

  5. ps: tbm curti o post. =]

  6. “agasalhos” haha, ótima palavra!

  7. Eu tb nunca assisti, mas pretendo! Adoro essa atriz fazendo a terapeuta do Charlie em Two and a Half Men. lml
    Adorei o post, Rê.
    🙂

  8. tiagofioravante

    nossa. NUNCA ia ter percebido que era a mesma atriz. ela é gênio.

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