I LOVE MY JOB, I LOVE MY JOB…

por Samanta Alcardo

 

Essa semana comecei a refletir sobre a influência do trabalho na vida. Até onde devemos nos comprometer? Quando é que se tem noção de que as questões do trabalho estão afetando demais a vida pessoal?

Sempre que começo a pensar nisso, lembro da minha cena favorita do filme francês Albergue Espanhol .  Xavier, recém pós-graduado em Economia, chega ao escritório para seu primeiro dia de trabalho no Ministério da Economia. Após ouvir algumas instruções empolgantes (NOT!) sobre seu novo trabalho, ele simplesmente surta e sai correndo do escritório. Ele sequer começa a trabalhar. Apenas se permite surtar e sai correndo dali, confiante do que sente, sem olhar para trás.

Eu costumo chorar sempre que vejo esta cena.  Além de ser algo que eu já quis fazer centenas de vezes, fico muito comovida com a liberdade e o desprendimento do gesto.

Sempre fui do tipo de pessoa que sai às 18h em ponto. Meu crachá nunca foi meu RG. Nunca vesti a camisa da empresa. Sempre fui de fazer um trabalho bem feito porque simplesmente gosto do que faço e preciso do dinheiro. Ponto.

Acontece que ultimamente eu não ando fazendo as coisas bem feitas. Ok, o “bem feito” está nos olhos de quem vê. Mas o que pega é a maldita autocrítica. E eu me conheço bem a ponto de saber que estou esculachando e que não estou ligando a mínima pra mais nada na firma. Alerta vermelho.

Hoje descobri que pra conseguir levar um emprego adiante, eu preciso me importar (o que julgo ser bastante loser, confesso). Alguma coisa precisa me fazer acreditar que o que faço tem algum sentido, que o esforço vai ser útil pra alguém, que estou ajudando alguma coisa. Algo precisa me inspirar. Pois é, #fail total, porque só sei que não estou NEM AÍ no momento. Estaria tudo legal, não fosse a certeza de que não vou conseguir viver assim por muito tempo.

Ok, o que tenho a fazer agora é procurar um emprego novo. Até porque sou do tipo que não disfarça. Pior: eu deixo bem evidente. Hoje todo mundo da equipe comentou sobre a minha cara de pouquíssimo caso enquanto minha chefe explicava as atividades do dia. E se pra mim agüentar tudo isso está um pé no saco, também não deve ser muito legal para as pessoas lidarem com o meu completo desprezo por tudo.

Eu só queria que toda essa “compreensão” tivesse chegado mais rápido. Antes de eu passar um feriado inteiro pensando nisso (momento loser 2). Sem que eu perdesse momentos de sono por ficar imaginando o que teria dito se pudesse ter falado alto naquela reunião.

Enfim, paciência. A meta agora é agüentar firme e encontrar o equilíbrio entre continuar não ligando, não estressar e seguir cumprindo com as obrigações. Sem culpas. E sem sair correndo, né.  Parece que muita gente consegue.

Xavier no escritório: já pode sair correndo?

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3 Respostas para “I LOVE MY JOB, I LOVE MY JOB…

  1. tiagofioravante

    Nossa, adorei o post! Talvez pq esteja passando por um momento parecido com o seu. Concordo sobre para poder conseguir levar adiante termos que nos importar, saber que oq fazemos é importante pra alguém. Confesso que é bem difícil, mas temos que pensar assim mesmo.
    Oq pode ser feito é tocar projetos paralelos que nos satisfaçam pessoalmente pra não surtar igual ao Xavier hasuhau!

  2. acho que todo mundo da nossa geração (rá!) tá sendo esmagado pelo excesso de trabalho e pela mesmice do cotidiano.. mas não tem muito jeito, acho. o melhor é tocar projetos paralelos! :****

  3. Ai ai, essas vontades de surtar no trabalho que a gente tem mas retrai… Fogo, né? Mas sabe, eu penso em uma coisa que vc me falou. Que esse descontentamento, essa angústia que a gente sente de vez em quando são sinais de que estamos vivos. A dor pode causar isso ás vezes, e acho que é o que acaba fazendo com que a gente busque algo melhor, né? Mas como o Tiago e a Rena comentaram, projetos paralelos acabam nos dando something to look forward to depois de um dia exaustivo de trabalho. 🙂

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