MUSIC IS MY RADAR.

por Samanta Alcardo

Trilha do post: The Fall (Norah Jones)

Que tipo de relacionamento você tem com a música? Já pensou nisso?

Eu vivo pensando, porque tenho uma mania incontrolável de analisar e esmiuçar tudo.

Não consigo lembrar exatamente como a coisa começou, mas sei que veio do meu pai. Ele sempre teve dúzias de fitas K7 no carro e vários vinis em casa. Eu sempre admirei a coisa de TER a música. A capa. O encarte. A música física mesmo.

Eu me lembro do primeiro CD que comprei. Foi um do Double You, que veio com uma revista. E eu nem tinha ONDE tocar CDs naquela época.

Mas aí fiz 15 anos e papai me deu um aparelho de som. E eu deixei de gostar de Double You.

Logo depois vieram vários novos artistas; a maioria dos CDs eu pegava emprestado de colegas na escola, porque minha mesada não era, digamos, constante. Lembro do acústico do Nirvana, alguns do Guns ‘N Roses, Bush, Alanis Morissette, REM.  Lembro de ficar uma tarde toda no quarto ouvindo minha fitinha do Jagged Little Pill, lendo as letras e entendendo pouca coisa, mas achando tudo sensacional. Que raiva era aquela, meu Deus? Incrível.  E meu pai entrou no quarto e falou “Que lixo é esse que tá tocando?”.

E eu nem me importei. Nunca me importei.

E comecei a comprar CDs. E a família dizia que eu tinha de comprar roupas e maquiagem. Onde já se viu menina, compra um brinquinho, uma roupinha feminina! Sorriso amarelo. Depois ia à única loja de CDs da cidade e torrava tudo que tinha. Comprei os discos do Savage Garden (então, eu AINDA gosto deles). O CD da (desconhecida) banda em que o Johnny Depp era baixista.  Johnny Depp, o ídolo de minha adolescência.

(Preciso tentar vender esse CD no Mercado Livre.)

Então, hoje música pra mim é uma coisa de entranhas, algo visceral. É como se fosse uma manifestação de vida que me entende e dá sentido às coisas. E eu criei a minha maneira de vivê-la.

Por exemplo, eu baixo músicas. Vivendo no Brasil, tem coisas que você só vai conhecer se baixar mesmo. Mas compro CDs. Aos montes. No Submarino, nas Americanas, na Amazon, na Neto Discos. Faz tempo que não tenho mais espaço pra eles, mas eu dou um jeito.

Eu organizo CDs por ordem alfabética. E dificilmente ouço músicas fora de um álbum. O conceito de álbum pra mim é uma coisa meio sagrada. A ordem das músicas. As pausas. Na minha cabeça é tudo pensado e precisa ser respeitado, sabem. Shuffle é um troço que eu não uso. Gosto de pensar como os artistas mudam entre os discos. De imaginar o momento em que sentaram no sofá pra compor uma música.

Gosto de dormir na fila do estádio. De tatuar sobre música. De chorar ouvindo melodias alegres ou tristes, no trabalho ou na rua. De imaginar o que aquele verso pode querer dizer.  De ler todos os créditos do encarte.

E você que está lendo, já pensou sobre o papel da música para você? Fica aí o convite. Deixo pra vocês uma tirinha do Peanuts. Sensacional, pra variar.

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9 Respostas para “MUSIC IS MY RADAR.

  1. incrível, adorei. e também não consigo ouvir música fora da ordem dos discos, não. existe toda uma coisa pensada e planejada naquela ordem, né? :***

  2. Lindo o post, Sá! Belas considerações sobre a música, pra variar. Sua sensibilidade me comove.

    Embora eu tenha um Ipod Shuffle, valorizo também a ordem das músicas nos discos e entendo completamente essa relação de amor que temos com música. Amo mais a música do que muita coisa neste mundo.

    Vou admirar seu trabalho aqui no blog assim como te admiro, no geral.

  3. Super me identifiquei com essa tirinha do Penauts (lembrando que eu sou o Charlie Brown, né? Haha).

    Amei seu post, Sam. Adorei toda a sensibilidade e sinceridade com que você escreveu. Engraçado como conseguia imaginar você falando tudo o que estava escrito enquanto eu lia. 🙂

    Mas eu gosto de ouvir músicas no shuffle, hahaha! 😛

  4. amaaaay muitão!

  5. eu lembro quando cheguei em casa a noite e liguei um K7 que a minha amiga tinha me dado. era uma música nova da Madonna, que minha amiga tinha gravado do Rádio.

  6. não consigo me imaginar vivendo sem música! e prá cada época da vida tem uma trilha sonora, que traz a sensação do momento quando é ouvida outra vez….ouvir as músicas que eu gosto me fazem lembrar de mim mesma, de quem eu sou.

    • GENTE, posso confessar que eu não sabia que podia responder aos comentários? *rs Que tudo!
      Pessoal, fico feliz que todos tenham se identificado com o post! Muito animada com o blog. 🙂

  7. Conheci a Kate Nash por causa desse blog, assim como o Belle e Sebastian e Camera Obscura. Agora essas três tornaram favoritas. Continue dando dicas sobre música boa e tbm de literatura. Esse post sobre música é exatamente a minha opinião, a música tem uma influencia muito grande na minha vida, posso não saber tocar uma guitarra ou ser vocalista de uma banda, mas quando ouço uma música boa e vibrante estilo Kate Nash, muda até o meu mau humor. Música é a minha válvula de escape para fugir dos chefes chatos, rotinas e problemas afins.

    Espero mais recomendações =).
    Bjs
    Lilian

    • Poxa Lilian, seu comentário veio no exato momento em que eu planejava como ia começar meu próximo post, juro! rs Vai ser uma dica de música! hehe
      Fiquei contentíssima por te influenciar a conhecer esses artistas que eu amo tanto! Isso não tem preço! 🙂
      Muito obrigada pelo comentário fofo! (L)

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