NOITE DE OSCAR: E DAÍ?

por Angélica Bito

  

Domingo (7/3) foi dia de Oscar, a premiação mais falada de Hollywood. Desta forma, não haveria assunto melhor para eu falar na minha primeira contribuição ao blog Alguns Tormentos do que esta tão prestigiada premiação do cinema. Mas por que, afinal, ela é tão prestigiada? Por que a gente separa tantas horas de nossos dias discutindo a premiação, assistindo aos filmes indicados e quebrando a cabeça apostando nos nossos favoritos? Sobretudo por ser uma premiação feita para e pelo cinema norte-americano. Confesso que isso ainda é um mistério pra mim.

Conheço gente que se dedica de devotadamente a assistir principalmente a filmes indicados ao Oscar. Tem gente que se reúne pra assistir à festa, fazer bolões, até compram umas bebidas legais. O mercado de vídeo tem uma tradicional festa, na qual as pessoas assistem à premiação com roupas de gala, têm acesso a quitutes gostosos e bebidas finas. Tudo isso por causa dessa festa, que parece movimentar de uma forma quase misteriosa a indústria cinematográfica. 

A questão do Oscar é que a festa é simplesmente uma celebração do cinema mais como indústria, menos como arte. Não vou dizer que filmes indicados têm de ser caros ou algo do gênero, mas a estatueta existe para movimentar capitais em Hollywood. Um ator ou diretor indicado ao Oscar têm um “plus” em seu cachê nos próximos trabalhos. Oscar agrega valor aos talentos cinematográficos e qualquer coisa que envolva “valor” e “arte” já complica o segundo. Em 2010, no entanto, o fato da Academia ter preferido premiar o independente Guerra ao Terror ao megassucesso Avatar mostra que não pretende ainda ajoelhar-se frente às inovações tecnológicas de filmes como o de James Cameron que, embora tenha arrebatado o público, não fez tanto a cabeça dos que escolhem os vencedores da estatueta mais cobiçada de Hollywood. 

Mas, calma, não acho que o Oscar é uma tremenda besteira. Seria clichê demais simplesmente fingir que a premiação não seja importante para o cinema. Por exemplo, gosto quando as pessoas são capazes de descobrir novas cinematografias graças aos cinco indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Claro, isso é mais difícil quando estamos falando sobre o público norte-americano – que, aos poucos (bem poucos) vêm se abrindo aos filmes legendados, mas não completamente -, mas já fico feliz se você, leitor, tenha ido assistir a filmes como A Fita Branca, O Segredo de Seus Olhos ou A Teta Assustada – citando alguns que foram indicados nesta categoria este ano e passaram pelo mercado brasileiro, seja em cinema ou DVD – por causa da premiação. Também devo admitir que minha porção mulherzinha adora dar uma espiada nos looks “desfilados” no tapete vermelho.

Agora, a pergunta inicial: para que serve o Oscar? Pra que as musas mostrem por que são musas, para que os filmes indicados faturem algum troquinho a mais das pessoas que vão ao cinema somente nesta época e, quem sabe, revelar alguns talentos e filmes que poderiam passar batido. Mas este último tópico, confesso, é fruto da minha natureza cinéfila e extremamente otimista. Agora, uma coisa que não gosto é fazer apostas, bolões e coisas do gênero. Filmes são mais do que apostas, não? Mais uma da cinéfila otimista que ainda dorme tarde no domingo de Oscar só pra ser surpreendida.

A ideia inicial era, a partir deste parágrafo, comentar a festa em si. Que já começou com problemas de transmissão, que beleza – acompanhei pela TNT em áudio original, ninguém merece comentários desinteressantes. Agora, confesso: o maior motivo que me levou a querer acompanhar a festa veio a partir do momento em que confirmaram Steve Martin e Alec Baldwin apresentando a premiação. Eles são geniais; Baldwin está em seu melhor momento agora que descobriu como fazer comédia tirando sarro dele mesmo e Martin segue sendo charmoso, elegante e engraçado. Um par bastante digno.  Mas, 879 minutos depois de ver atores sendo zoados pela dupla, já senti vontade de dormir. O que eu pretendia fazer, até a Penélope Cruz entrar no palco com um vestido incrível para chamar o sensacional Christophe Waltz para ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Bastardos Inglórios. Escrevi isso antes mesmo do Matt Damon acabar de falar o discurso do personagem dele em Invictus. Gostaria que o Woody Harelson ganhasse, ele está realmente muito bom em O Mensageiro e simpatizo com sua figura. Mas não tinha para mais ninguém mesmo e o primeiro prêmio da noite foi justo, mas não surpreendente.

Agora eu fiquei pensando: por que raios o leitor chegaria a esta parte? Quero dizer, qual é a graça de comentar minuto a minuto o Oscar num texto que será lido depois? Saudades da época que eu fazia este tipo de trabalho ao vivo, no site onde trabalhava até ano passado (Cineclick). Por isso, despeço-me da minha primeira conversa com você, leitor. Pois é isso que gostaria de fazer neste espaço: conversar. Até a próxima semana, então!

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5 Respostas para “NOITE DE OSCAR: E DAÍ?

  1. Oi amiga! Adorei o post e desejo sorte pra nós nessa nova empreitada. 🙂 Que acima de tudo todos nós tenhamos muita diversão. Beijos!

  2. Legal a forma como foi descrita a “utilidade” do Oscar, boa!

    Concordo com você no ponto que se refere ao espaço que está sendo conquistado nas salas norte-americanas por parte dos filmes estrangeiros (os subbed). Assisti A Fita Branca e achei um ótimo filme (fotografia, roteiro e, claro, sensibilidade) e ainda que já tenha sido informado sobre a falta de vitórias, acho que vale pela indicação. Um concorrente é um potencial ganhador, afinal!
    Gostaria de comentar a respeito das premiações, mas primeiro preciso
    assistir à elas.

    Parabéns pelo primeiro post. Bem-vinda!

  3. Desculpa o negrito (HTML problems MODE)

  4. tô ansioso pra ver “a fita branca”!

  5. Gé, antes de tudo, deixa eu só falar que adorei o título, haha!

    Gostei muito do seu post! Parabéns! Concordo com várias coisas que vc citou. 🙂 Mas vou admitir que achei meio boring o Steve Martin e o Alec Baldwin apresentando. Preferia que tivesse sido o Hugh Jackman de novo. Ele me surpreendeu no ano passado. Mas gostei da abertura do Neil Patrick Harris, hehe.

    Ainda preciso ir ver O Segredo de Seus Olhos. Ouvi coisas boas a respeito! 🙂

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