Arquivo da categoria: cinema

TRIBUTO À FRANKENSTEIN

“Its Alive” é um projeto que comemora os 80 anos do Frankenstein, através de 80 bustos em tamanho real retratando o monstro mais querido do cinema em curiosas facetas.

Para a tarefa, 80 artistas foram convidados a criar sua própria versão do personagem, e o resultado final é pra lá de criativo.

As obras estão à venda no site oficial do projeto, e a renda é toda revertida ao St Jude Children’s Research Hospital.

 

STANLEY KUBRICK NO MUSEU: EXPOSIÇÃO NA CINÉMATHÈQUE FRANÇAISE

Um dos grandes mestres do cinema está em exposição em Paris! Stanley Kubrick é responsável por uma filmografia que dispensa maiores apresentações: Lolita, Odisséia no Espaço, O Iluminado, De Olhos Bem Fechados…

A Cinématèque Française reuniu um grande acervo sobre o universo do cineasta, tão extenso que resultou numa exposição de dois andares. Cada sala é dedicada a um filme, onde são exibidas memorabília de filmagens, documentos, scripts, roupas, diários, fotos e telões passando as cenas mais marcantes de cada título.

O machado de “O Iluminado” está lá, assim como os vestidinhos das gêmeas bizarras, e até o clássico triciclo que estrelou uma das cenas mais marcantes da história do cinema.

Entre os documentos mais curiosos, estão cartas de paróquias dos Estados Unidos pedindo para que Kubrick não filmasse “Lolita”, e também telegramas de padres e autoridades externando repulsa depois de terem visto o filme.

A exposição fica em cartaz até o próximo dia 31, em Paris.

camiseta Alguns Tormentos

MOBY REVELA NOVOS TALENTOS DO AUDIOVISUAL

Muito boa essa competição proposta pelo Moby, em parceria com a mega-agência Saatchi & Saatchi e o Vimeo, com objetivo de descobrir novos talentos do audiovisual. A idéia é interpretar de maneira criativa o tema “Hello, Future”, usando como trilha uma faixa do seu último disco, “Destroyed”.

O ganhador terá sua obra exibida no festival de Cannes deste ano, além constar como destaque no site do Vimeo e poder trabalhar em um projeto da Saatchi. Quanto prestígio, não?

Os 10 finalistas já foram escolhidos, e o ganhador será anunciado no próximo dia 23. Estes são os vídeos que a gente mais curtiu:

 

Quem será que leva o prêmio?

TIM BURTON NO MUSEU

Fãs de Tim Burton, comecem a fazer as malas para ir à Los Angeles! Está sendo inaugurada uma exposição incrível sobre a obra do cineasta, no Los Angeles County of Museum of Art (LACMA).

São mais de 700 obras que fazem uma retrospective sobre a carreira de Burton, desde a máscara do Batman que Michael Keaton usou em 1989 até a roupa original usada por Johnny Depp em “Edward Mãos de Tesouras”.

Antes de estrear em Los Angeles, esta exposição já esteve no Moma de Nova York, onde atraiu mais de 800 mil visitantes, a terceira maior bilheteria do museu (atrás apenas de Matisse em 1992 e Picasso em 1980).

via

SOBRE PEDRO ALMODÓVAR

Dono de um estilo muito característico, Pedro Almodóvar é um dos cineastas mais celebrados entre os amantes da sétima arte. Conhecido por retratar temas densos e polêmicos, o espanhol abusa das cores contrastantes em suas películas, pontuadas muitas vezes por um humor ácido. Mulheres fortes e transexuais são protagonistas recorrentes em sua obra, que costuma abordar os roteiros de maneira circular, envolvendo o espectador em um fascinante quebra-cabeça.

Almodóvar é, sem dúvida, um dos grandes nomes do cinema mundial. Em sua rica filmografia, destacam-se “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos” (1988), “Tudo Sobre Minha Mãe” (1999) e “Má Educação” (2004). Veja abaixo o trailer de “Kika”:

 

 

ZUMBIS SÃO LEGAIS

por Angélica Bito

Quando eu era mais nova, gostava de filmes de terror. Acho que já comentei sobre isso por aqui. Mas, quando cresci, passei a renegar um pouco isso, principalmente os de zumbis. Quando comecei a trabalhar com cinema, acho que queria mostrar algum tipo de conhecimento ou senso crítico em relação ao cinema, então tive essa coisa de renegar filmes de zumbis. Não estou dizendo que estava correta, pelo contrário. Admito minha imaturidade sem problemas nenhum. Querer se afirmar é complicado, especialmente se você é jornalista. É preciso colhões assumir algumas coisas e, com mais de dez anos de profissão, já sou capaz de abraçar novamente essa minha paixão pelos mortos-vivos.

Cena de 'Madrugada dos Mortos'

Miolos!

Não há muito segredo nesses personagens. Eles morreram e voltaram a vida sedentos por miolos, basicamente, como nos ensinaram os filmes de George A. Romero. Mas os zumbis não existem somente no cinema ou na aula de história (Zumbi dos Palmares está aí rondando nossa mente desde as aulas de história a infância). Os mortos-vivos são comuns nas crenças haitianas desde muito antes de Romero ter aprendido a palavra “zumbi”. Estudiosos relatam que as lendas urbanas relacionadas aos zumbis vêm dos rituais vudu comuns no Haiti nos quais mortos ganham seus movimentos de volta, mas não retornam à vida, necessariamente, por que voltam sem mente, sem personalidade, vontade e essas coisas que os humanos têm. Estes zumbis haitianos tornam-se escravos sem mente. O livro O Guia de Sobrevivência a Zumbis, de Max Brooks, é um livro de ficção que leva bem a sério a fisiologia dos mortos-vivos, explicando por que eles andam se arrastando, como é a visão e o olfato dessas criaturas, por exemplo, tornando-se um clássico na literatura estrelando os zumbis.

Um dos primeiros filmes a trazer um morto-vivo como protagonista é O Golem, de 1920, no qual o zumbi é uma coisa meio estátua animada/ robô/ morto-vivo. Embora eles sejam bem presentes na literatura, os zumbis são mais populares no cinema mesmo – terreno no qual eu realmente os aprecio. Acho que essa apreciação está muito relacionada aos meus sentimentos mais juvenis, essa coisa de achar legal esses caras comendo miolos. Além de A Noite dos Mortos-Vivos (confesso que o primeiro que vi foi o remake de 1990, no Cine Trash, para depois ver o original, de 1968), um outro que me marcou muito foi Fome Animal (1992), um dos primeiros filmes de Peter Jackson – que na década seguinte ficou famoso pelos filmes da série Senhor dos Anéis. Fome Animal tem o trash e o suspense dos filmes de zumbis, além de incorporar doses cavalares de humor. A mistura de mortos-vivos e humor, aliás, é sempre muito apreciada por mim. Além de Fome Animal, outros dois que são verdadeiros campeões nesse mix são Todo Mundo Quase Morto e Zumbilândia.

Embora os zumbis estejam por aí há muito tempo, eles nunca foram esquecidos. Até cineastas mais cult, como Danny Boyle, já se meteu com mortos-vivos cheios de energia – até demais, o que causou estranhamento, mas foi bem-recebido – em Extermínio. Zach Snyder, que acabou de ser confirmado como diretor do próximo filme do Super-Homem, mostrou a que veio em 2004 com Madrugada dos Mortos, remake do longa homônimo dirigido por Romero em 1978. O longa de Snyder é fiel à obra original, tenso, bem-dirigido e assustador, elementos essenciais quando estamos falando de um filme de zumbi que tem como base um longa de Romero. É um clássico moderno do gênero. Outro filme que me vem à cabeça é Cemitério Maldito (1989), filme que embalou tantos pesadelos quando eu tinha uns nove anos. Baseado em livro de Stephen King (um dos poucos que li do autor), o filme acompanha o drama de um médico que se muda a uma pequena cidade norte-americana numa vizinhança pacata, mas que abriga um cemitério de animais (daí vem o nome original do terror, Pet Sematary) que, na realidade, tem propriedades estranhas capazes de trazer os mortos à vida. Mas, diferentemente dos zumbis, eles voltam com personalidade, vontades e maldosos. Muito mais maldosos do que as criaturas comedoras de miolos. Geralmente, aliás, os zumbis não têm personalidade – pelo menos se forem desenvolvidos de acordo com a tradução. Mas o próprio Romero burlou esta regra em Dia dos Mortos (1985) e deu certo: Bub, um zumbi meio domesticado é um personagem bem bacana. Serviu de inspiração para Fido – O Mascote (2006), que apela para gêneros como drama, romance e comédia para contar uma história de zumbis.

Recentemente, a tecnologia 3D nos trouxe zumbis também em 3D: é o caso de Resident Evil 4: Recomeço. O filme não traz tantos zumbis legais, muito menos em 3D, mas zumbis são legais de qualquer jeito. Mas eu sei que gostar de filmes de zumbis é como gostar de heavy metal: se você não começou até os doze anos, dificilmente vai aderir à causa na idade adulta. Mas vale a tentativa. Acho que hoje aprecio mais o heavy metal do que aos 12, então ainda há esperanças!

SCOTT PILGRIM VS THE WORLD

Scott Pilgrim e Ramona

Acho que um dos filmes mais esperados pelos nerds ou qualquer outra palavra que você queira denominar grupos de jovens é Scott Pilgrim vs the World. No Brasil, o filme está previsto para estrear em novembro, enquanto que no dia 13 de agosto ele já estará pelos cinemas norte-americanos. Agora, por que a ansiedade? Vamos lá:

1. Michael Cera: Ele é um dos atores que mais representam o que é ser nerd nos dias de hoje. Quer dizer, é como uma representação hollywoodiana, mas ele é esquisitinho, bonitinho, tem cara de tímido e conquista o coração das garotinhas desde que apareceu como o virgem romântico de Superbad – É Hoje, passando pelo adorável Bleeker de Juno e agora como o herói Scott Pillgrim.

2. HQ: É, o filme é baseado numa série de história em quadrinhos de seis volumes (somente os dois primeiros foram lançados no Brasil até agora, compilados numa única edição). Criados por Bryan Lee O’Malley, a estética das histórias se aproximam ao mangá, nas feições dos personagens, enfim, a estética da história. E é uma HQ legal, rápida de ser lida e relativamente simples.

3. Games: A história é a seguinte: Scott (Cera) tem 23 anos, mora no Canadá e é guitarrista de uma banda que não faz muito sucesso. Ele conhece Ramona (Mary Elizabeth Winstead), por quem se apaixona, mas tem de enfrentar seus sete ex-namorados malvados. Parece uma história bem comum, se os personagens não fossem dotados de poderes, como nos videogames. E, também como nos jogos, Scott enfrenta cada um dos ex de Ramona e, passada cada fase, ele fica mais perto de viver em paz com a menina de cabelos roxos. Essa mistura de vida banal e games parece ser bacana o suficiente para atrair a curiosidade da garotada nerd, que se acotovelou na última Comic-Con (a Meca dos nerds, uma feira anual que ocorre em San Diego e, se você precisou desta minha explicação para saber o que é Comic-Com, não deve ser do tipo que está ansioso para ver Scott Pilgrim vs the World) para ver Cera fantasiado de super-herói musculoso na sessão de perguntas e respostas que participou ao lado do elenco e do diretor do filme.

4. O diretor: Acho que este é o motivo mais forte para eu ter vontade de ver este filme. Mais do que eu ter curtido a HQ, mais do que o fato de eu ser uma das garotinhas apaixonadas por Cera desde Superbad – É Hoje. O diretor é Edgar Wright, que dirigiu um dos filmes mais legais de zumbi já feitos: Todo Mundo Quase Morto (2004). Meu, TODO MUNDO QUASE MORTO. Desculpe, caro leitor, se você não curte filmes de zumbis nem sabe do que estou falando, mas acredite quando digo que é um dos filmes de zumbis mais legais já feitos por que ele tira sarro com o devido respeito dos filmes do gênero. É uma comédia que homenageia os clichês que giram em torno dos filmes de zumbis, de uma forma inteligente e repleta de referências divertidas.

5. Música: Sabe o que tem em uma das sequências de Scott Pilgrim vs the World? O tema de abertura de Seinfeld.

6. Algo me diz que Kieran Culkin como o roomate gay de Scott Pilgrim será algo digno de nota.

7. O trailer é bacana e só mostra como Michael Cera é capaz de ter cara de bobo, mais ou menos como o personagem da HQ. Veja abaixo. E tem outro.

E encerro aqui minha série “especulações/ ansiedade” de filmes que vêm por aí.  Este filme, aliás, também está na categoria dos “filmes bobos que eu vou curtir”, como o filme mais bobo que eu curto: Dez Coisas que eu Odeio em Você.

MOTIVOS PARA ESPERAR POR ‘A REDE SOCIAL’

Jesse Eisenberg e Justin Timberlake em 'A Rede Social'

Jesse Eisenberg e Justin Timberlake em 'A Rede Social'

Ando bastante ansiosa desde que vi o mais recente trailer de A Rede Social. É o tipo de coisa que tento evitar em cinema e na vida em geral: criar expectativas. Mas confesso que tem vezes que não dá para fugir. Tamanha ansiedade é gerada não somente por conta da excelente prévia, mas principalmente porque o projeto é dirigido por David Fincher, um dos melhores cineastas norte-americanos em atividade. Só isso!

Fincher tem todo um histórico de direção de videoclipes, então existe um cuidado evidente em suas obras em longa-metragem com a música – o que também pode ser visto no próprio trailer de A Rede Social, com uma belíssima versão de Creep, do Radiohead, interpretada por um coral belga (obrigada, rede mundial de computadores, por esta informação!).

Fincher estreou no cinema dirigindo o terceiro filme da saga de ficção científica Alien 3, em 1992. Mas foi com seu segundo filme que ele realmente mostrou a que veio: Seven – Os Sete Pecados Capitais, de 1995. Lembro que eu estava na escola quando esse filme foi lançado e vi no cinema. Era uma época em que eu estava começando a descobrir o cinema e, principalmente, os sentimentos que os filmes poderiam despertar em mim, como medo e aflição – foi o que me lembro de ter sentido muito com este filme.

Em 1997, Fincher dirigiu O Jogo e, dois anos depois, um dos melhores filmes da última década: Clube da Luta, um verdadeiro soco na cara. Um não, um monte. Violento, visceral, intenso, orgânico, inteligente. E com uma das mais belas cenas finais que já vi na vida, ao som de Where’s My Mind, dos Pixies – mais uma prova de que Fincher é muito cuidadoso quando o assunto é imagem e música em seus filmes. Seu filme seguinte, O Quarto do Pânico (2002), não é tão intenso e incrível quanto o de 1999, mas ainda é um suspense inteligente, complexo, de boa direção.

Zodíaco, seu trabalho seguinte, é um filme diferente sobre um assassino em série. A trama não é focada no criminoso, como é mais comum, mas sim na fascinação que esses crimes exercem, na relação entre cidadãos comuns e os impactos dos crimes em suas vidas. Esse viés diferente, combinado com a já garantida boa direção de Fincher, já faz com que seja um filme especial. Seu último filme, O Curioso Caso de Benjamin Button, não é um suspense, nem é calcado na violência, como os anteriores, mas acompanha a sensibilidade e o viés lúdico do conto que lhe serviu de base, escrito por F. Scott Fitzgerald. E é lindo.

Em A Rede Social, Fincher se distancia mais ainda dessas histórias que ele costumava filmar nos anos 90. O filme conta a história da fundação do Facebook, a tal da rede social que dá nome ao filme. Foi criada por nerds norte-americanos com muito drama, brigas, fofocas e histórias que eles gostariam de ter esquecido, mas Fincher ajudará para que isso não ocorra. Então, resolvi listar cinco motivos fortes e genuínos para que você, leitor, me acompanhe nesta expectativa toda:

1. É dirigido por David Fincher. Isso já bastaria, mas tem mais.

2. O trailer é muito maneiro. Veja.

3. No elenco, o adorável Jesse Eisenberg (de Zumbilândia), Rashida Jones (The Office e Parks and Recreation) e o REI Justin Timberlake (cuja atuação aprecio bastante).

4. Conta história de nerds em mil e uma confusões. Agradável, não?

5. É do David Fincher! Pronto, parei de declarar meu amor por ele!

JANELA DA ALMA

não tire esses óculos, use e abuse dos óculos, já cantaria Roberto Carlos!

Pra uma pessoa como eu, autêntico míope, usar óculos representa muito mais do que simplesmente adornar-o-rosto-pra-dar-um-ar-de-intelectual. Não, não. A bem da verdade, até gosto dessa aura que as pessoas criam em torno de quem usa óculos. É divertido! Uma vez me contaram que foi registrado numa pesquisa aí que pessoas que usam óculos são também consideradas “mais confiáveis”. Humm, pode ser, mas ainda prefiro associar confiabilidade a um bom e firme aperto de mão do que a uma bela armação de grife…

Anyway. Fato é que, como realmente preciso usar óculos, resolvi, há certo tempo, tornar esse fardo um pouco mais divertido. Se não pode vencê-los, escolha os melhores! Inicialmente tinha birra daquela modinha horrível de óculos minúsculos, do tipo “quanto menor, melhor”. E aqueles que parecem que não têm armação? Affe! Das duas, uma: se é pra não usar óculos, apóio as lentes de contato; mas se é pra usar, que sejam grandes e vistosos, com cara de óculos mesmo, sem disfarces e pudores.

E mesmo ressentido dessa modinha de óculos grandes que vingou de uns tempos pra cá – gente usando óculos só pra compor visual nerd fake na balada, coisas assim – continuo fanático por belas armações. E se você é assim como eu, dê uma olhada nesses sites: a marca britânica Cutler and Gross  tem modelos elegantíssimos, mas caros. Já a brasileira Absurda tem modelos bacanas, inclusive inspirados e batizados com nomes de lugares célebres, tipo Rua Augusta, Benedito Calixto, etc. E finalmente, tem o site da americana Warby Parker, que já começa bacana no nome, inspirado em dois personagens do Kerouac. Eles têm modelos fantásticos e surpreendentemente baratos. A proposta da marca é justamente ir contra a maré de armações extravagantemente caras e oferecer um produto de qualidade a um preço acessível. Sem contar que ainda há um fundo filantrópico: a cada par de óculos vendidos eles doam outro pra instituições estrangeiras que cuidam da visão daqueles que não podem bancar consultas e os próprios óculos. Legal, né?

quatro olhos!

E por fim, em homenagem a todos os amantes de óculos do mundo, um trecho do documentário Janela da Alma (2001), de João Jardim e Walter Carvalho, que retrata justamente pessoas como eu, que enxergam o mundo por meio deste enquadramento dos óculos. De Wim Wenders ao já saudoso Saramago, entre outros, cada um com seu par inseparável de lentes, a visão do mundo por meio desses relatos se revela mais lúdica e interessante: do uso de óculos e suas implicações sobre a personalidade à questão da saturação de imagens que o mundo joga nos nossos olhos. E como diria Da Vinci, o olho é a janela da alma, o espelho do mundo.

MESMO FILME, SABORES DIFERENTES

Cena de 'Vida de Solteiro'

“How does stuff get so complicated? I don't know.” (cena de 'Vida de Solteiro')

Sou super a favor de ver filmes mais de uma vez. Ver um filme é uma experiência tão pessoal que muda não somente de acordo com o olhar de cada espectador, em particular, mas também em cada fase da vida em que estamos.

Por exemplo, a primeira vez que assisti a Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, conclui que as memórias dos relacionamentos que passam são sempre importantes, no fim das contas (até escrevi sobre o filme na época, veja). Estava num momento de “entre safra” entre relações; sem mágoas, rancores e coisas que só fazem com que nosso coração fique amargo, como o de Joel Barish. Revi novamente alguns anos depois, totalmente de bode com namoro que havia terminado recentemente, e tudo que queria, naquele momento, era contratar o Dr. Howard Mierzwiak para apagar o tal do ex da minha mente. Mesmo filme, sabores diferentes.

Outro que causa este tipo de efeito em mim é ‘Vida de Solteiro’. Assisti a este filme pela primeira vez lá pelos idos de 1996. Tinha 15 anos, coitada, mal sabia o que era um namoro, ou terminar um. O que me chamou atenção nesse primeiro encontro com o filme de Cameron Crowe foi como ele era todo “cool” e como eu queria ser como aqueles personagens quando eu chegasse aos 20 e poucos anos. Alguns anos depois, a única coisa que conseguia ver naquele filme era como relacionamentos fracassam tão facilmente. Quero dizer, é tão fácil assim um namoro acabar? Sim e é exatamente por isso que admiro tanto esse filme simples de Crowe. Principalmente porque, com simplicidade, personagens malucos (mas possíveis), diálogos sensacionais, uma trilha sonora incrível e alguns corações dilacerados, Vida de Solteiro aborda o que é real. Mais uma vez, mesmo filme, mas com sabores diferentes.

Agora, na segunda vez que vi o terror Carrie, A Estranha, saquei toda uma questão meio sexual que permeia não somente a cena de abertura, aquele traveling maravilhoso no vestiário feminino, mas na própria personagem, tão violentamente reprimida nesse sentido. Quando revi Cemitério Maldito em 2004 – um filme que me assustou muito quando eu era criança -, fiquei com dó de mim: não é tão assustador assim. A gente aprende a encarar nossos medos, além de tudo.

É um exercício bem bacana rever filmes pra gente entender, também, como evoluímos com o passar dos anos. E você, qual filme pretende experimentar novamente, mas com novos sabores?

VIDAL SASSOON THE MOVIE

por Tiago Fioravante

Vidal Sassoon The Movie
Vidal Sassoon The Movie
Vidal Sassoon The Movie
Vidal Sassoon The Movie

Qualquer pessoa que saiba o que foi o Swinging London provavelmente já conhece ou pelo menos ouviu falar do cabeleireiro Vidal Sasson. Ele é o responsável por uma revolução na indústria de beleza. Ele libertou às mulheres da ditadura dos salões de beleza.

Se antes as clientes não tinham muita opção à não ser os cortes tradicionais oferecidos pelos cabeleireiros, Vidal deu a elas opções, fazendo algo que até então ninguém estava acostumado: foi buscar inspiração para seu trabalho na Bauhaus, na arquitetura e em formas geométricas, algo antes impensável nos salões de beleza.

Seus cortes de cabelos e penteados agitaram a década de 60, afinal ele trouxe para a cabeça das mulheres (literalmente) o que se passava com a moda na época (Paco Rabanne, Pierre Cardin, André Courrèges, etc). Para se ter ideia, Mary Quant, Peggy Moffit, Mia Farrow, Joan Collins, Twiggy e os Beatles eram clientes assíduos do moço (hoje com 82 anos).

Lançado recentemente durante o Tribeca Film Festival, o do documentário “Vidal Sassoon The Movie” faz um resgate da história de Vidal. O filme é dirigido por Craig Teper e tem como produtor Michael Gordon, fundador do salão Bumble & Bumble, um dos mais respeitados do mundo. A produção irá contar com relatos de familiares, personalidades, amigos, funcionários e do próprio Sassoon. Também para este ano, a Assouline prepara o lançamento do livro sobre o cabeleireiro.

Eu confesso que sou um grande fã da efervescência cultural da década de 60 e estou louco para conhecer um pouco mais deste gênio que já passou por orfanatos, sonhava em ser jogador de futebol, serviu ao exército israelense, luta pelas causas judaicas, e ainda hoje continua na ativa.

Vidal Sassoon The Movie
Vidal Sassoon The Movie
Vidal Sassoon The Movie

OBS: algumas fotos que ilustram este post são do editorial “The Bob” publicado na Tush Magazine N°2.

LIBERACE: PIANOS, CANDELABROS E PAETÊS

por Tiago Fioravante

LiberaceLiberace
Liberace
Liberace
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Liberace
Liberace
 

Até pouco tempo, ‘Liberace’ não passava de um nome estranho pra mim. Só muito recentemente que eu fui pesquisar e acabei descobrindo coisas incríveis a respeito de um dos maiores pianistas do século XX.

Provavelmente em poucos meses haja uma avalanche de informações sobre este personagem que modificou profundamente a maneira dos instrumentistas se apresentarem, afinal, está programado para breve uma cinebiografia do artista, que terá no papel principal ninguém menos que Michael Douglas, dirigido por Steven Soderbergh, e que terá Matt Damon como parceiro do pianista. Apesar de o filme tirar Liberace do armário, ele não era assumido, e na década de 50 chegou a processar um tablóide inglês por sugerir isto.

Mas este post não é sobre o filme, e sim sobre seu estilo, kitsch ao extremo, uma de suas características mais marcantes, além do candelabro que ele sempre preservava em cima do piano em suas apresentações. Mas antes de tudo vamos dar uma recapitulada. Liberace (nascido Wladziu Valentino Liberace, em maio de 1919) é de uma tradicional família de músicos de origem polonesa e italiana, estudou para se tornar um pianista clássico, mas surpreendeu a todos em uma de suas primeiras performances públicas, quando ao invés de tocar uma composição clássica, ele preferiu fazer o inusitado, e escolheu um arranjo de música popular.

Seu visual já chamava atenção muito antes Elvis Presley, Elton John e David Bowie se tornarem conhecidos. Os figurinos eram extravagantes, repletos de brilho, pedrarias, peles e diamantes. Usava mantas de mink e de vison sobre roupas de lamê com paetês, purpurina, jóias pesadas, colares imensos. Fazia questão de informar quantas peles de animais haviam sido usadas em cada modelo (o que deixaria os ativistas do PETA de cabelo em pé hoje em dia). Seu guarda-roupa chamava a atenção também pelo colorido e pelo grande número de acessórios e capas. Ele adorava ousar! Muitos destes trajes estão expostos hoje em dia no Liberace Museum (Liberace Foundation for the Performing and Creative Arts), em Las Vegas, mas infelizmente eles não disponibilizam as imagens online.

Pesquisando mais sobre ele encontrei uma série de imagens que deixam bem claro a extravagância de Liberace, que ia muito além das roupas, se estendendo ao seu estilo de vida, pois afinal, ele foi um dos primeiros instrumentistas a ter um cachê na casa dos milhões, e adorava esbanjar isto, comprando mansões, carros e pianos, alguns inclusive haviam pertencido a gênios como Chopin e George Gershwin. Liberace morreu aos 67 anos, em quatro de fevereiro de 1987 por complicações da AIDS.

Confira aqui uma de suas performances:

CINEMA É PARA VER FILME: UM CONCEITO COMPLICADO

Sala de cinema

Sala de cinema: templo sagrado para poucos

Acho que poucas coisas são tão legais quanto assistir a um filme no cinema. Mesmo com o crescimento e barateamento dos DVDs, a possibilidade de baixar filmes pela internet ou a ampla oferta de OBRAS em TV por assinatura. Tem gente que prefere ver filmes em casa, podendo fazer o que bem entender durante a exibição – inclusive dar a pausa para estourar mais algumas pipocas no microondas. Já eu acredito que a experiência de assistir a um filme no cinema é insubstituível. Pena que nem todos respeitam isso e muitos acabam comportando-se como se estivessem na sala de casa quando estão em sociedade. Uma das coisas que relacionei em meu perfil aqui no blog é a minha admiração por pessoas que sabem se comportar no cinema. E, acredite, está cada vez mais difícil encontrar esse tipo de gente por aí. Uma pena.

A coisa mais lamentável que as pessoas fazem nos cinemas é conversar. Gente, cinema é caro, não tem por que pagar pra falar; se for assim, fica fora, tomando um café, e fala o quanto quiser, sabe? Agora, tem gente que não conversa, mas narra e comenta os acontecimentos exibidos na tela. Outro dia fui a uma pré-estreia e dei o azar de sentar bem ao lado da tia de uma das atrizes do filme. Uma tia deslumbrada com a presença de atores por ali; ela queria fazer contatos, era dentista de pessoas como Malvino Salvador, e prestigiar a jovem sobrinha em sua estreia no cinema. Só que a tia não parava de falar um minuto, comentava cada cena, reagia e torcia a cada momento que sua sobrinha aparecia na tela. Um terror. A primeira coisa que comentei com meu amigo quando o filme acabou (por que sou do tipo que fala depois que o filme acaba, é tão difícil assim?) foi: “a tia estava fora de controle”.

Se tem gente que acha que cinema é pra conversar, grande parte das pessoas aproveita a escuridão da sala para namorar. Nada contra, acho até bonito o cinema proporcionar, mesmo que indiretamente, histórias de amor – geralmente, sou a favor delas -; o problema é quando o casal quer demonstrar amor para todo mundo que está ao redor. Se a sala é escura, eles fazem isso sonoramente. Não há coisa mais desprezível em casais do que aqueles que fazem barulhos de amor no cinema. Anote a dica para não fazer o mesmo. E tem também o grupo de jovens (às vezes, nem tanto) que vai ao bando para fazer algazarra. Não suporto. E parece que, em todos os filmes de terror que vejo no cinema, tem pelo menos nove turmas dessas. E o cara que vai ao cinema pra SE CURTIR (isso mesmo); aconteceu com uma amiga minha – oi, Alê! -, ela estava vendo ‘Por Água Abaixo’ (um desenho animado infantil, perceba) e o cara começou o trabalho ali, bem do lado dela. E olha que ela nem estava nos cinemas na região da rua Ipiranga (para quem não sabe, ponto tradicional de cinemas pornôs)!
 
Aliás, vale o consenso de que barulhos alheios em geral não pegam bem no cinema. Barulhos de amor, vozes e alimentos em geral. Uma vez, numa sessão de um filme da Naomi Kawase – aquela coisa bem bonita, contemplativa -, uma jovem sentou-se com seu namorado na minha frente. E ela trazia todo o combo de gente que deveria ser barrada na porta da sala: ela conversava, namorava – confesso que fiquei em choque quando, em dado momento, ela pediu uma massagem ao namorado – e, a cereja no bolo, começou a comer um biscoito, torrada ou qualquer coisa EXTREMAMENTE CROCANTE. A sala toda ouvia a mocinha mastigar. Não bastando, ela chegou depois de iniciada a sessão e saiu antes do filme acabar. Bem, talvez tenha sido bom ela sair antes: minha vontade era lhe falar poucas e boas quando as luzes acendessem. Mas eu sempre fico somente na vontade: nunca apontei dedo na cara de ninguém que me incomodou no cinema. Mais falta de coragem e timidez do que qualquer outra coisa. Porque tem gente que merece muito um dedo na cara.

Tem também aquele cara que não tem noção que existe uma pessoa sentada na cadeira da frente, basicamente. Claro, algumas salas são pequenas mesmo e pessoas com pernas mais compridas acabam batendo, eventualmente, na cadeira da frente. Mas tem os que simplesmente não estão nem aí com a convivência em sociedade e ficam chutando a cadeira da frente, incapazes de reconhecer os olhares de reprovação que vêm da frente. Claro, sempre temos a opção de mudar de lugar na sala, mas e quando ela não existe, como lidar? Já quase explodi de raiva com gente assim, pois acredito ser uma agressão a mim – não à poltrona – esses chutes. E ninguém tem paciência pra algum chutando suas costas por duas horas, tem?

Pode ser que eu seja rigorosa demais, mas é pedir muito que as pessoas se comportem no cinema? Afinal, é uma experiência coletiva: por duas horas, essas dezenas – às vezes centenas – de pessoas estão ali, vivendo o mesmo tipo de experiência, mas tem gente que simplesmente não respeita não somente o ato de estar na sala de exibição, mas a própria obra que está sendo exibida.

UM CRIME PROVOCA MUITA COISA

por Samanta Alcardo

Eu adoro quando vou assistir a um filme sem saber praticamente nada sobre ele. Tipo quando fui ver O Segredo de Brokeback Mountain;  não sabia que era um filme com romance gay e tal (não deduzi isso pelo cartaz). E o filme foi uma baita surpresa (boa). Acho que gosto de não poder prever o que vai acontecer durante o filme, de ser surpreendida por reviravoltas. Talvez por isso evite ler críticas e resenhas antes de assistir a um filme. Gosto mais de ler depois.

Semana passada fui ver o filme argentino O Segredo dos Seus Olhos por recomendação de um amigo. Quando cheguei ao cinema e vi o cartaz, confesso que não dei muito pelo filme. Vejam:

Mas apesar de ser, de certa forma, um filme policial (o centro da história é um crime), esse filme é muita coisa a mais: tem drama, humor, romance… um bocado de cenas não óbvias, porém fortes.  São histórias de pessoas movidas pelo amor, seja na forma de vingança, amizade ou omissão. Os personagens são riquíssimos e gostei muito de como a trama é conduzida de forma simples, com cenas aparentemente inocentes, mas que expressam muito.

Nem vou contar muito da história, mas tudo começa com a tentativa do recém-aposentado oficial de justiça Benjamín Espósito de escrever um livro sobre um crime que investigou anos antes (década de 70). Apesar da predominância do drama, o filme tem momentos bem-humorados. São ótimas todas as cenas na repartição pública em que Benjamín e seu incrível amigo Sandoval trabalham (o filme avança e retorna no tempo). O ambiente de convivência deles numa típica repartição pública, com um chefe caquético, caricato e mandão, é bem engraçado.

E o filme vai correndo sorrateiro, como se não quisesse nada, e quando você vê já está tomado pelas angústias e aflições dos personagens, e o nó na garganta é inevitável.

Não conheço muito do cinema argentino, mas só posso dizer que não foi à toa que O Segredo dos Seus Olhos ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010. Ok, nem sempre eles premiam os melhores e eu nem assisti aos outros filmes que concorreram. Mas para mim é certeza de que premiaram um grande filme.

Benjamín (de barba) e seu parceiro Sandoval revirando lixos em busca de pistas

SAUDADES DO CINE TRASH

por Angélica Bito

Revi em DVD um dos filmes que curtia quando era jovem. Tinha uns 14 anos quando começou a passar Cine Trash na Band. Era uma sessão da tarde do mau: só passavam filmes de terror. E todos os dias eu chegava da escola, almoçava e assistia a um filme de terror apresentado pelo Zé do Caixão, famoso personagem personificado pelo ator e cineasta José Mojica Marins. Nem sabia quem era Mojica, nem tinha visto seus filmes – não tinha internet naquela época pra eu pesquisar essas coisas, veja bem -, mas adorava o programa. Realmente sinto falta de um segmento na TV que dê mais atenção ao gênero, que parece cada vez mais subestimado. E não culpo ninguém por isso, mas que tal dar uma olhada nos clássicos para percebermos como é possível fazer um BOM filme de terror?

Foi com o Cine Trash que comecei a ter contato com mais filmes de terror do que aqueles que a gente ouve falar na escola – tipo os da série Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo e, meu favorito na época, Cemitério Maldito. Enfim, naquela época descobri os filmes de terror dos anos 70. O filme que revi, no caso, é Balada Para Satã (1971), o que me inspirou a escrever aqui uma lista de sete filmes de terror bacanas feitos entre os anos 60 e 70. Somente esta lista é prova de que terror não é um gênero menor do cinema. E foi grande formador da minha cultura cinematográfica, por isso tenho tanto carinho pelo gênero.

Gosto particularmente dos filmes do gênero (meu favorito, perceba) produzidos entre os anos 60 e 70 pela direção. Isso mesmo. Todo o clima de terror é obtido por meio de direção, montagem, uso da direção de arte e trilha sonora. Isso é cinema, primordialmente. Não que eu rejeite filmes de terror baseados em efeitos especiais e maquiagem – adoro filmes de zumbis, por exemplo -, mas admiro os elementos cinematográficos trabalhados nos terrores dessa época. Tenho a impressão que toda a estética dessa época, como cenários, direção de arte, figurino e maquiagem, fazem com que o clima de suspense seja melhor trabalhado. Os temas geralmente giram em torno de ocultismo, satanismo e outros assuntos mais interessantes do que assassinos mascarados – embora eu ainda me divirta em filmes com assassinos mascarados. Aliás, estes filmes me dão tanto medo que, na hora de procurar as fotos para ilustrar este texto, fiquei com medo. Especialmente com as imagens de O Exorcista.

Vamos lá (não necessariamente em ordem de preferência):

1. O Iluminado (1980)

O Iluminado

'Redrum'

Quebrando as regras do post logo no primeiro filme. Embora tenha sido lançado no primeiro ano da década seguinte, o terror de Stanley Kubrick entra aqui não somente por ser uma brilhante e completamente pessoal adaptação do igualmente assustador livro de Stephen King, mas por manter essas questões estéticas setentistas que citei no início do texto. Uma das mais marcantes atuações de Jack Nicholson só sublinha a genialidade desta obra de Kubrick.

2. O Bebê de Rosemary (1968)

O Bebê de Rosemary

'He chose you, honey! From all the women in the world to be the mother of his only living son!'

Dirigido por Roman Polanski no prédio onde John Lennon foi assassinado alguns anos depois, o longa conta a história de uma mulher (Mia Farrow) cujo marido (vivido por John Cassavetes, incrível cineasta) começa a se envolver com os vizinhos satanistas. Grávida, investiga essa sua suspeita. O tema do satanismo é fio condutor desta trama assustadora, conduzida de forma perfeita por Mia Farrow; até hoje, sempre que a vejo em um novo filme, sinto carinho por ela ter protagonizado este que é não somente um dos meus filmes de terror favoritos, mas em todos os gêneros.

3. Carrie, a Estranha (1976)

Carrie, a Estranha

'You're a woman now'

Nos anos 70, cineastas geniais dirigiam filmes de terror. Brian De Palma foi o responsável pela direção deste verdadeiro clássico do gênero. Não bastando o período da escola ser assustador o suficiente se você é uma moça estranha como Carrie (Sissy Spacek), ainda tem o fato dela ter poderes de telecinese e, pior, uma mãe religiosa e louca. O filme é cheio de cenas marcantes, como o traveling da abertura, dentro do vestiário das garotas, e o final, capaz de fazer o espectador dar saltos da poltrona. O filme começa com a menarca da protagonista e sempre toca na questão dela estar virando uma mulher; aqui, virar uma mulher é assustador ao extremo.

4. A Noite dos Mortos-Vivos (1968)

'Miolos!'

Os zumbis de Romero não foram os primeiros do cinema, mas este filme com certeza redefiniu o conceito da palavra. A trama não é das mais complicadas: mulher e irmão vão visitar o túmulo do pai num cemitério que vem a abrigar um surto de mortos-vivos. Ela se esconde numa casa ao lado de outros sobreviventes. A estrutura definiu os próximos filmes do gênero, bem como as criaturas. Ponto para George A. Romero, que virou o mestre dos filmes de zumbis e segue produzindo… Filmes de zumbis, claro.

5. O Exorcista (1973)

O Exorcista

Esta foi a imagem menos assustadora que encontrei.

Este filme foi um verdadeiro fenômeno. Misturando uma criança possuída pelo demônio e a própria luta de um velho padre e o próprio demo, O Exorcista é um grande clássico do cinema de horror, trazendo uma memorável atuação de Ellen Bustyn como a mãe da menina possuída e um primoroso trabalho de direção de William Friedkin. Confesso que este longa tirou algumas noites de sono com medo e experimentar uma situação como a da pequena Regan.

6. A Profecia (1976)

A Profecia

'Look at me, Damien! It's all for you'

Um moleque que pode ser o verdadeiro capeta em forma de guri. É este o mote deste terror, que tirou o sono de muita gente por aí. O longa foi dirigido por Richard Donner – que, veja você, mais tarde dirigiu Superman (1978), Os Goonies (1985), Máquina Mortífera (1987) e Os Fantasmas Se Divertem (1988), outros clássicos modernos do cinema norte-americano. A Profecia é não somente assustador, mas particularmente bem dirigido, com sequências memoráveis graças também à montagem – como quando o fotógrafo é empalado em frente à igreja: me arrepiou; ou quando os animais do zoológico surtam com a presença do pequeno Damien ou a babá subindo no telhado (literalmente).

7. O Massacre da Serra Elétrica (1974)

O Massacre da Serra Elétrica

'If I have any more fun today I don't think I can take it!'

Diferentemente dos filmes citados anteriormente, este não envolve ocultismo, misticismo ou meninas endemoniadas, mas sim uma família de assassinos malucos. Precursor dos slasher movies – nos quais, basicamente, assassinos perseguem grupos de jovens -, foi dirigido com baixo orçamento por Tobe Hooper e tornou-se um clássico por influenciar todo um subgênero do terror. Uma curiosidade: o título deste filme foi traduzido errado. Na verdade, o que Leatherface usa é uma motosserra, que funciona com motor; se fosse uma serra elétrica, ela teria de ficar na tomada e o vilão não poderia perseguir ninguém.

Look at me, Damien! It’s all for you.

AS MELHORES (E AS PIORES) COISAS DO MUNDO

por Angélica Bito

Quando você é adolescente, as melhores coisas do mundo podem estar na escola, especialmente se sua vida familiar não anda as melhores. Mas, nessa mesma idade, a escola também pode ser palco das piores coisas do mundo. Quando a gente é adolescente, rolam tantas crises – graças às descobertas que não param de ocorrer – que as melhores e as piores coisas do mundo podem rolar no mesmo lugar, no mesmo dia. É mais ou menos esse o clima de As Melhores Coisas do Mundo, novo filme dirigido por Laís Bodansky (que volta ao universo jovem depois de sua estreia no cinema, Bicho de Sete Cabeças) que estreia nos cinemas nesta sexta-feira (16/4).

As Melhores Coisas do Mundo

Cena de 'As Melhores Coisas do Mundo'

O roteiro, escrito por Luiz Bolognesi (parceiro recorrente de Laís em seu cinema), é baseado na série literária Mano, de Gilberto Dimenstein e Heloisa Prieto. A obra deu base ao roteiro, mas tanto a diretora quanto o roteirista percorreram principalmente escolas de classe média em São Paulo para enriquecer essa pesquisa. O compromisso com a realidade atual dessa faixa etária é grande. Embora a adolescência e seus conflitos sejam do conhecimento de todos, ser adolescente hoje é diferente e é exatamente isso que vemos em As Melhores Coisas do Mundo. O que mais me assustou foi a questão do bullying digital, combinação terrível do fácil acesso à tecnologia e a tradicional maldade na qual um adolescente é capaz de se inserir.

Protagonizado pelo estreante Francisco Miguez – gratíssima revelação do filme -, o longa acompanha Mano, jovem de 15 anos que frequenta um colégio de classe média em São Paulo. Como tantos, ele é apaixonado pela menina mais bonita da escola – loira, olhos verdes, cabelos compridos, o esteriótipo perfeito de “menina bonita” nessa época -, tem curiosidade em relação ao sexo, quer aprender a tocar violão. As Melhores Coisas do Mundo tem uma visão extremamente sincera em relação aos seus personagens, uma honestidade no mínimo comovente. O filme não tenta estereotipar ou tratar desrespeitosamente os jovens, pelo contrário e é exatamente essa visão respeitosa dos acontecimentos o grande tesouro neste filme. Laís quer fazer um filme para jovens, mas em momento nenhum subestima sua capacidade crítica. Ela sabe como se comunicar com jovens e cercou-se de profissionais do mais alto calibre para levar o filme adiante – a fotografia de Mauro Pinheiro Jr. (Linha de Passe) dá um tom urbano e urgente à trama, assim como a montagem, assinada por Daniel Rezende (Tropa de Elite).

Pode ser que você já tenha ouvido falar deste trabalho como “o filme do Fiuk”. Normal. Trata-se da estreia do novo ídolo teen da atualidade, no qual ele trabalhou sem ao menos revelar de quem é filho. Fiuk tem um papel até que grande no filme – é o irmão mais velho de Mano e acaba se envolvendo em questões bastante complicadas e recorrentes quando se tem 17 anos – e sua presença pode sim atrair mais teens aos cinemas. Que podem assistir a As Melhores Coisas do Mundo para ver o Fiuk na tela grande (vou confessar que o garoto tem um verdadeiro caso de amor com a câmera, é incrível como ele fotografa bem), mas certamente vão se identificar com esta história que está tão próxima ao público, independente da idade. Laís dá atenção e voz a crises familiares, pessoais, enfim, os dramas que envolvem todos ao redor de Mano e, desta forma, dialoga de forma honesta com o público.

AS VILÃS MAIS ESTILOSAS DA DISNEY

por Tiago Fioravante

Que os vilões costumam se vestir melhor que os mocinhos não é segredo pra ninguém, mas os antagonistas da Disney são sem comparação. Quando criança, ao assistir estes clássicos, ficava encantado com as personagens más, me atraíam muito mais que as protagonistas.

As cores sombrias, os figurinos, toda a aura de mistério em que eram envoltas. Por uma questão semiótica, eram retratados com cores que de certa maneira evidenciam o mau na cultura ocidental e, se fosse fazer uma cartela de cores, preto, roxo e vermelho, estariam no topo da lista.

O visual das vilãs é algo tão fascinante que recentemente começou a rolar um burburinho de que a MAC Cosmetic, em parceria com Vivienne Westwood, lançaria uma linha inspirada no make das vilãs Disney. Genial não?

Pois bem, fiz uma lista (outra lista, haha!) de dez anti-heroínas que têm um estilo muy bacana.

Cruella De Vil (101 Dálmatas, 1961)

As 10 vilãs mais estilosas da Disney

Talvez a mais fashionista da lista, afinal, em nome da moda, esta designer não está nem aí pros bicinhos e só pensa em fazer um casaco com a pele dos pobrezinhos. Cruella está sempre com sua piteira em punho e usando luvas vermelhas.

Um dos itens mais marcantes de seu estilo é o cabelo bicolor, que ainda hoje faz a cabeça de alguns fashionistas. Criada por Marc Davis, sua primeira versão animada apareceu em 1961, no filme original, e chegou às telonas em 1996 na pele da sensacional Glenn Close.

Ursula (A Pequena Sereia, 1989)

As 10 vilãs mais estilosas da Disney

Representante das gordinhas, Ursula, é uma lula com um senso de estilo incrível. Seu cabelo é algo de moderno e ela abusa de decotes (costas sempre de fora, tomara-que-caia,…), maquiagem pesada e tem uma língua ferina.

Aparece na 1ª versão animada do filme, que na sequência tem como antagonista Morgana, sua irmã mais nova, que mesmo sendo maléfica, não chega aos seus pés.

Rainha de Copas (Alice no País das Maravilhas, 1951)

As 10 vilãs mais estilosas da Disney

Pavio curto, autoritária e tirana. Características principais desta personagem, que ganha destaque na trama devido à pequena relevância de seu marido em relação à ela.

Quem encarna a rainha na versão de Tim Burton, que chega este mês aos cinemas nacionais é Helena Bohan-Carter, e já é um dos filmes mais aguardados do ano.

Rainha Má (Branca de Neve e os Sete Anões, 1937)

As 10 vilãs mais estilosas da Disney

Movida pela inveja, esta personagem é uma das vilãs mais bonitas já criadas pela Disney. Dona de um rosto delicado e corpo esguio, ao perguntar ao espelho mágico se havia no mundo beleza maior que a sua e descobrir que sua enteada Branca de Neve a havia deixado para trás, ordena que um caçador tire sua vida.

Sendo traída pelo caçador, ela resolve colocar a mão na massa e se transforma em uma senhora (com uma aparência de bruxa) para ir atrás de Branca de Neve, que à esta altura já está na casa dos Sete Anões.

Malévola (A Bela Adormecida, 1959)

As 10 vilãs mais estilosas da Disney

Como o próprio nome já diz (Maleficent, na versão original), esta personagem é extremamente má, além de ser a mais sinistra e mais poderosa criada pelos estúdios Disney.

Por não ter sido convidada para o batizado da Princesa Aurora, ela lança um feitiço que fará a jovem princesa dormir eternamente. Apesar de alta, magra, seu visual é a personificação do mal, com direito a chifres (no caso um chapéu em formato cônico, também chamado de ‘hennins’, amplamente utilizados na Idade Média).

Yzma (A nova Onda do Imperador, 2000)

As 10 vilãs mais estilosas da Disney

Apesar do todos a considerarem medonha, Yzma pensa exatamente o contrário. Ela é um poço de auto-estima e talvez uma das vilãs mais cômicas e exêntricas desta lista.

O principal objetivo de Yzma, que é uma bruxa conselheira do Imperador, é tomar seu trono, e para isto o transforma em uma lhama. O visual da vilã, além de ter sido inspirado pela atriz peruana Yma Sumac, conhecida como “A Princesa Inca de Hollywood”, tem traços muito parecidos com os de Cruella De Vil.

Madame Medusa (Bernardo e Bianca, 1977)

As 10 vilãs mais estilosas da Disney

Outra que tem um “quê’ de Cruella, que a princípio ocuparia o posto de vilã. Descartada a idéia, algumas semelhanças ficaram, como a fixação em um objetivo, vaidade, temperamento forte e tendência à dirigir loucamente.

Madame Medusa é proprietária de uma loja de penhores, e não vai descansar até colocar as suas mãos o “Olho del Diablo”, o maior diamante do mundo, do quall ela precisa da ajuda da jovem Penny para recuperar. Dizem ainda que o criador da personagem inspirou-se em sua ex-mulher para dar vida à Madame Medusa.

Lady Tremaine (Cinderela, 1950)

As 10 vilãs mais estilosas da Disney

Motivada pela inveja da beleza de Cinderela, a madrasta e suas filhas são o pesadelo da jovem princesa. O visual é de uma senhora de meia-idade da era vitoriana. Cabelos brancos, elegância e uma vida social agitada são algumas marcas desta, que é uma das vilãs mais conhecidas da Disney.

Mesmo não possuindo nenhum poder mágico ou força física, com sua inteligência e perspicácia, Lady Tremaine, tenta à todo custo sabotar sua enteada, e fazer com que uma de suas filhas se case com o príncipe.

Helga Sinclair (Atlantis – O Reino Perdido, 2001)

As 10 vilãs mais estilosas da Disney

Militar alemã, sensual, fria e calculista. Seu estilo lembra muito a atriz hollywodiana Marlene Dietrich e a personagem fictícia Lara Croft. De todas as vilãs citadas aqui, ela é a que usa um figurino mais moderno.

Maga Patalójika (Tio Patinhas, 1961)

As 10 vilãs mais estilosas da Disney

A única representante das Hisórias em Quadrinos, Maga é uma bruxa italiana, criada por Carl Barks, que tem como principal objetivo tomar posse da Moeda N° 1 do Tio Patinhas e derretê-la no vulcão Vesúvio, para transformá-la em um poderoso amuleto.

O visual femme fatale de Maga é inspirado na atriz italiana Sophia Loren e na personagem Morticia Addams, de Charles Addams. Maga nunca desce do salto, está sempre maquiada e com sua bolsa à tiracolo.

A SALVAÇÃO NO CINEMA

por Angélica Bito

Ando experimentando uma crise pessoal. É normal ter isso, acho. Pelo menos para mim. Este feriado foi particularmente doloroso neste sentido. Fiquei um pouco enfiada na minha toca de sombras, como costuma definir minha terapeuta. Nesses momentos repletos de dores pessoais e problemas de autoestima, me escondo no cinema. Não necessariamente no local escuro e lúdico, mas na arte mesmo. Me entupi de filmes neste feriado, dos mais diversos possíveis, e posso dizer que, mais uma vez, foi o cinema que me deu aquela forcinha boa pra seguir em frente. Não necessariamente por mensagens edificantes ou algo do gênero, mas porque pensar que posso ver mais e mais filmes que me dão horas de prazer significam mais motivos pra viver do que as pessoas que me decepcionam, por exemplo.

Algo crucial nesse meu processo de ser salva pelos filmes foi ter aprendido a baixá-los. Veja bem: não me considero uma criminosa; não ganho dinheiro com isso. O máximo que faço é assistir aos filmes ou séries. Às vezes, até faço boas ações e gravo para os amigos (tenho feito isso com uma recente descoberta que só salvou minha vida por causa da tecnologia: a série Parks And Recreation, que está na segunda temporada, é simplesmente genial e não é exibida aqui!). Enfim, este fim de semana, baixei dois filmes.

Um deles foi [REC] 2, continuação do terror espanhol [REC]. Sou fã de filmes de zumbis e [REC] (2007) é um deles, numa roupagem moderna, misturando essa linguagem de reality shows com o mais puro e simples terror. A continuação, que chega aos cinemas brasileiros no segundo semestre, começa quinze minutos após o final do primeiro longa, que foi um grande sucesso do gênero e até virou refilmagem norte-americana (o também competente Quarentena). Só que, neste novo filme, temos a entrada de um personagem que joga luz sobre o mistério do vírus que toma conta de um prédio no centro de Madri, levando os personagens a um verdadeiro pesadelo. [REC] 2 é assustador, seu roteiro é complexo, inteligente e os novos personagens funcionam. Dirigido por Jaume Balagueró e Paco Plaza, diretores do primeiro longa, [REC] 2 prende o espectador em uma assustadora onda de terror.

2[REC] 2

Cena do terror

Outro completamente diferente ao qual assisti neste fim de semana foi Ponyo on the Cliff by the Sea, o novo trabalho do gênio dos animes Hayao Miyazaki. O filme é de 2008, mas ainda não estreou por aqui nem há data prevista para tal. Uma pena. Cansada de esperar, resolvi baixar e este filme, visto na noite deste domingo, deixou um sabor bom depois de altos e baixos emocionais no feriado. É um anime infantil, que reserva as características que fizeram de Miyazaki um cineasta admirado ao redor do planeta. Ele consegue como poucos captar a inocência infantil refletida em seus personagens, inocência capaz de salvar o dia em todos os seus filmes.

O estético do cineasta é inconfundível: muitas cores, ambientações complexas e personagens tão fofos que dá vontade de abraçar a tela. Miyazaki é do tipo que ainda produz animações artesanais: mais de 160 mil fotogramas animados foram utilizados na produção de Ponyo on the Cliff by the Sea; algumas cenas foram ilustradas com giz pastel e aquarela. Por isso esse acabamento tão especial. Ponyo do título é uma peixinha que acaba perdida no mundo dos humanos. Com superpoderes, ela é filha de uma deusa do mar. Quando conhece o pequeno Sosuke, de cinco anos – assim como ela -, logo nasce um amor bonito e inocente entre os dois. O sentimento faz com que Ponyo faça de tudo para virar uma menina para viver com Sosuke. O que acaba criando uma tremenda confusão entre o mundo do mar e os humanos que vivem nessa cidade litorânea onde o menino vive. Existe magia, existe fofura, existe cores, existe tudo que deveríamos ter em nossas vidas. É por isso que os filmes de Miyazaki sempre me fazem muito bem. São sempre visualmente complexos, de encher os olhos, com tramas repletas de magia, levando o espectador, independente da idade, a se sentir como quando era criança. Quem não gosta disso, não é mesmo? Isso sem contar os personagens, sempre tão complexos e extremamente adoráveis. Aproveite e descubra todos os outros filmes de  Miyazaki, como o clássico recente A Viagem de Chihiro e um mais antigo, Meu Vizinho Totoro, um dos filmes mais lindos que já vi na vida toda.

Ponyo on the Cliff by the Sea

Sosuke e Ponyo: tenha uma ideia da fofurinha que eles são

No meu post anterior aqui no blog, escrevi sobre um filme que, embora esteja disponível no mercado brasileiro, pouca gente viu. O texto quase não rendeu comentários. Confesso: fiquei tensa. O Eduardo disse que ninguém comentou por que ninguém viu o filme. Pode ser. Seguindo esta lógica, ninguém vai comentar este post também, mas não tem problema. Se o texto fizer alguém assistir a esses filmes, ou mesmo refletir sobre o papel do cinema em sua vida, já terei cumprido meu papel. Com ou sem comentários!

O FIM: APENAS O COMEÇO

por Angélica Bito

Eles ainda viverão alguns fins. E começos.

 

Já está disponível em DVD um dos filmes brasileiros lançados nos cinemas ano passado que mais me tocaram, daquela forma bem pessoal e mulherzinha que alguns filmes são capazes de tocar. É Apenas o Fim, um filme simples, rodado por um grupo de moleques estudantes de cinema da PUC carioca. Ou seja, é o tipo de cinema que deveria chegar mais às salas e às prateleiras de DVD do que realmente chega. Não é somente Matheus Souza e seus amigos que fazem cinema juntando grana com rifa de uísque; tem muita molecada aí produzindo cinema, mas eu nem você, caro leitor, temos acesso. A internet ajuda? Certamente. Mas nunca é o suficiente.

Apenas o Fim custou R$ 8 mil e foi rodado em alguns dias no próprio campus da faculdade. Matheus Souza, o diretor e roteirista, é um cara simpático, gente boa, então as pessoas que trabalharam neste filme não estavam querendo ficar ricas nem nada disso, mas acreditavam na ideia do rapaz, que na época não tinha mais do que 20 anos. A carreira do filme começou no Festival do Rio de 2008, o qual cobri. O que comentávamos era mais ou menos assim: “E aquele filme de R$ 8 mil dos moleques da PUC, quem viu?” Não vi e fiquei surpresa, relativamente, quando ele sagrou-se vencedor não somente do prêmio do público – afinal, não era difícil ver pessoas que trabalharam no filme entre uma sessão de outra. Aquela garotada, que esperava ansiosamente pelo Festival do Rio a cada ano, estava ali ocupando um lugar diferente na “cadeia alimentar” cinematográfica, num movimento similar com a Nouvelle Vague, quando a garotada que frequentava a Cinemateca Francesa passou a fazer filmes, na França dos anos 60 (mas que rende bem menos frutos do que o movimento francês, infelizmente).

E, assim como os franceses, Apenas o Fim parte do comum, desenvolve-se numa história também comum ao espectador e termina num local nada desconhecido a qualquer um que já esteve no fim de um relacionamento. A estrutura é simples: filmado em HD, com locações na PUC do Rio de Janeiro, o filme acompanha as últimas horas do relacionamento de Adriana (Erika Mader, sobrinha de Malu Mader) e Antônio (Gregorio Duvivier, de Podecrer!, excelente comediante). Ela chega na faculdade onde estudam dizendo que tem uma hora antes de ir embora para um local misterioso. Nessa última hora, o casal relembra momentos triviais da relação – como conversas sobre Power Rangers, Tamagochis, Mário Bros. e outras coisas da cultura pop que o pessoal de vinte e poucos anos, como os personagens e o próprio diretor (19, na verdade, quando ele escreveu este roteiro), têm como referência próxima.

Os personagens conversam o tempo todo, relembrando o relacionamento que tem hora para acabar. Triste, mas tratado com dignidade. Afinal, o fim não precisa ser aquele sofrimento de choros intermináveis e afins, tão clichê quando se fala do fim de um romance, mas sim a possibilidade de novos amores. É isso que a gente espera, especialmente quando é jovem como os protagonistas. Nada mais, nada menos. Eles sabem que o amor voltará a visitá-los, não existe essa aflição, esse drama todo que nós mesmos inventamos para nós. É um fim que sinaliza o começo de muitos outros fins. Simples, complexo, tudo ao mesmo tempo, como o amor e as relações são e sempre serão ao longo de tantos fins e começos.

Apenas o Fim pode ser simples, mas em momento nenhum é raso, superficial, pelo contrário, graças ao texto de Matheus Souza, que flui de forma extremamente natural na atuação de Erika e Duvivier, tão à vontade falando do que conhecem: amor e cultura pop. O resultado é um filme leve, divertido, de texto rápido, que lembra Woody Allen, os filmes de amor de Richard Linklater e, sobretudo, Domingos de Oliveira. Não à toa, o cineasta carioca praticamente adotou Souza, amizade que tem rendido alguns frutos no teatro. É o que chamamos de um pequeno grande filme mais sobre relações do que sobe o amor em si.

MRS. ROBINSON, I CAN’T DO THIS ANYMORE

The graduate (\o/)

O filme começa com Benjamin Braddock chegando de viagem. Ele está numa daquelas esteiras de aeroporto, deslizando. Sendo levado. Simbolicamente levado pela vida, eu acho. Ele não se mexe, só fica ali, parado. Como se estivesse sendo carregado. E é uma sequência linda, linda. A música de fundo é The sound of silence. People talking without speaking e tals.

Eu sou um pouco doida por esse filme, A primeira noite de um homem (1967). Gosto mesmo. Uma das razões está nesse personagem tão singular, o Benjamin Braddock (Dustin Hoffman gatzinho, xxovem, em boa forma). Outra razão reside na trilha sonora, acho. As músicas são sempre do Simon & Garfunkel, fofas, fofas.

Braddock acabou de se formar na faculdade e volta para a casa dos pais. Ele está sofrendo com toda uma indecisão profissional, todo um vazio. Na verdade, ele meio que não tem nada pra fazer. Eu sempre fico achando tão interessante isso dele estar num “não-lugar”. Há cenas lindas, lindas, de Braddock literalmente boiando na piscina dos pais, tomando sol. Ele não está nem fora e nem dentro da água, ele só fica lá, na superfície. Sofrendo e se contradizendo e refletindo, no “não-lugar” dele. People writing songs that voices never share.

É claro que Braddock cresce ao longo do filme. Em diversos momentos, ele se posiciona. Inclusive colocando outras pessoas no meio do seu processo de crescimento. De todo modo, pra mim, a parte mais importante do filme é a que trata do “não-lugar”.

Eu via muito esse filme em 2002, numa época de bastante tempo livre e blá. O velho e bom Braddock me caía como uma luva. Era eu, ali, boiando na piscina, sabe? Hoje as coisas mudaram e o “não-lugar” da minha vida foi substituído por outra coisa. Mas a delicadeza desse filme ainda me impressiona. Isso sem contar com a elegatééérrima Anne Bancroft. Quer aprender a segurar um cigarro? Observe a senhora Robinson. Quer aprender a se vestir? Olhe pras roupas dela. É incrivel.

The graduate (lego \o/)

A (DES)EDUCAÇÃO AMOROSA PELOS FILMES

por Angélica Bito

“Ninguém se preocupa com o fato das crianças ouvirem milhares – literalmente milhares – de canções sobre amores perdidos e rejeição e dor e infelicidade e perda.” Esta frase foi escrita por Nick Hornby no livro da minha vida, Alta Fidelidade. Que clichê, uma jornalista apaixonada por cultura que se identifica com Rob Gordon, personagem deste livro. Mas acredito que todos somos clichês simplesmente por que crescemos nos espelhando nos clichês oferecidos não somente pelas canções de amores perdidos, mas filmes de amor, novelas, contos de fadas e essa coisa toda.

Ao mesmo tempo em que concordo que as músicas tristes são capazes de transformar pequenos seres humanos em grandes adultos dramáticos, os romances aos quais acompanhamos no cinema fazem o desserviço de nos fazer acreditar no amor eterno. Quero dizer, entendo que algumas pessoas devem experimentar isso na vida, mas são pouquíssimas. A gente cresce achando que, mesmo sendo uma prostituta de Los Angeles um dia encontraremos um cara rico, bonitão e pronto pra nos dar amor e alguns trocados (Uma Linda Mulher). A gente acha que, mesmo depois dos 40, é capaz de encontrar um cara incrível na forma de John Cusack pela internet (Procura-se um amor que goste de cachorros). Na maioria das vezes, a gente acha que a mulher só vive feliz se tiver um homem do lado – a própria definição de “felizes para sempre”, no plural, vem com esse conceito embutido. Sabe aquela cena na qual pequeno Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt) está assistindo a um filme romântico, vestindo uma camiseta do Joy Division, em (500) Dias com Ela? Define bem este retrato. Por que você acha que o garotinho de ABC do Amor sofre tanto quando acha que está sendo ignorado pela menina que ele gosta? Filmes.

Não sei se com rapazes essas coisas pesam da forma como pesam com meninas. Quando crianças, somos estimuladas a pensar no futuro não somente envolvendo o que seremos quando crescermos, mas também quantos filhos teremos, com quantos anos casaremos, etc. Daí, eu via filmes como Romeu + Julieta e Titanic – já na adolescência – e suspirava com romances épicos. Hoje, pergunto-me como raios eu suspirava e almejava esse tipo de romance intenso. Mas, peraí, eles nem tem filhos! Pois é. O paradoxo nas aspirações românticas começam aí mesmo. Como a gente sabe se eles eram fadados para acontecer, de acordo com os preceitos do destino, se todo mundo morre? De onde venho, romances eternos são aqueles nos quais as pessoas envelhecem juntos e tudo mais, não morrem na tenra idade.

Ao mesmo tempo, nutro certo respeito por essas histórias que acabam logo após intensa atividade. Nunca tive um romance eterno; mal converso com a maioria dos caras pelos quais fui apaixonada. Nenhum deles morreu, mas também não mantenho contato. Amor? Rolou, mas esqueci onde foi parar na maioria das vezes. Agora mesmo, quando peguei minha edição de Alta Fidelidade, vi que foi um ex que me deu. Cadê esse cara que acaba de ser lembrado? Não faço a mínima ideia e nem quero saber. Deve ser por isso que prefiro filmes mais honestos. Harry e Sally – Feitos Um Para o Outro, por exemplo, me parece muito mais real também pela forma como fica evidente a diferença das expectativas românticas entre homens e mulheres.

Embora tenha raiva de mim mesma por esperar romances cinematográficos em minha vida, confesso que ainda me emociono com essas tramas rocambolescas. Um ex-colega de trabalho me definiu bem: sou uma romântica enrustida. Sabe acreditar em amores intensos que acabam rapidamente de uma forma trágica? Paradoxo que me define. É meio complicado, por essa coisa enrustida que carrego, admitir que quase vomitei de tanto chorar com Diário de uma Paixão.

Mas uma coisa que sinto falta nos filmes é a forma como um amor pode ser a solução para tudo. Por isso, a conclusão de (500) Dias com Ela me incomoda um bocado. Talvez seja por causa dos filmes, que mostram a solução a tudo por meio de um novo amor, que as pessoas são tão carentes. “Existe uma certa dignidade em ser sozinha”, diz Janet, personagem de Bridget Fonda em Vida de Solteiro, e acho que este é um tipo de frase que deveria estar mais no cinema. Viver o romance é uma necessidade humana supervalorizada pela maioria das pessoas também por crescermos vendo isso também nos filmes. O triste fim nos faz sofrer, como as as músicas sobre corações dilacerados.

Está tudo ligado e, honestamente, não sei se há como escapar dessa ansiedade de viver um romance, dessa melancolia ao terminar um. Se eu soubesse, seria uma pessoa rica, não somente uma jornalista que fica elucubrando em público sobre o amor e suas dores.

Não se engane, é tudo mentira! Cena de 'Uma Linda Mulher'

A SINGLE MAN

por Angélica Bito

  

Gostar ou não de um filme é algo subjetivo demais. Como jornalista, aprendi nos bancos da faculdade que um profissional da área deve sempre buscar a objetividade. Mas, nas cadeiras das redações, descobri na marra que isso não existe. Desenvolvendo minha carreira fazendo também jornalismo opinativo, acostumei-me a abraçar a ideia não somente de que não existe jornalismo imparcial, mas também que a crítica é formada pelo diálogo e não pelo factual.

Tudo isso para explicar que, quando alguém me pergunta se um filme é bom, respondo se gostei ou não. Claro, existem verdades absolutas, tipo que Carrie, A Estranha ou O Poderoso Chefão são bons filmes; ou que As Branquelas é ruim. Mas, na maioria das vezes, verdades absolutas não existem no cinema ou em qualquer outra forma de arte.

Vejamos o caso de A Single Man, que está atualmente em cartaz em circuito restrito como Direito de Amar (me recuso a me referir à obra pelo título com o qual foi lançado em mercado brasileiro, ele não define nada o filme, diferentemente do original). Embora me incomodem algumas coisas, A Single Man me tocou emocionalmente de uma forma forte, pesada. Não tocou da mesma forma outras pessoas, mas não significa que ele seja bom ou ruim; significa que o diálogo funcionou comigo.

Como a estreia do estilista Tom Ford como cineasta, A Single Man é uma obra, antes de mais nada, corajosa. Para poucos, podemos dizer, a começar (ou terminar) pelo final fatalista. Não vou contar mais detalhes, obviamente, mas adoro filmes com finais pessimistas. Deve ser por isso que gosto tanto de dramas japoneses. Ou mesmo filmes de terror orientais. A cultura oriental é cheia de pragmatismo e fazer um longa-metragem desta forma demonstra não somente um toque extremamente autoral de Ford (no primeiro filme, veja bem), mas também a coragem de assumir o autoral, algo menos complicado no cinema oriental ou europeu, por exemplo, mas dificílimo quando estamos falando em Hollywood principalmente pelo público. A maioria das pessoas não gosta de finais tristes. Mas acho que não é à maioria das pessoas que Ford pretende tocar com este filme.

Toque autoral também pode ser visto na estética impecável de A Single Man. Como estilista, Tom Ford busca a beleza, assim como cineasta. As imagens são impecáveis, figurino, casting, direção de arte. Ford usa a imagem ao seu favor, ao mesmo tempo em que passa longe da beleza vazia, sem propósito. O protagonista, George (Colin Firth, em seu momento mais charmoso), é um professor inglês que mora em Los Angeles. Embora cercado de beleza, não vê mais sentido na vida por não ter o elemento que mais embelezava sua vida: o marido Jim (Matthew Goode), que, após 16 anos de relacionamento, morre num acidente de carro. A Single Man é desenvolvido em cima do vazio na vida de George; por meio de flashbacks, acompanhamos suas recordações ao lado de Jim. Solitário, encontra vazio em meio a tantas coisas e pessoas belas ao seu redor. Chega a ser bizarro como todos são tão lindos, mas me parece mais um reflexo de seu olhar do que a realidade em si (destaque para Carlos, uma espécie de “James Dean latino”, vivido pelo modelo Jon Kortajarena). Tudo se passa durante um dia crucial na vida de George, quando ele ainda se aproxima de um aluno, Kenny (Nicholas Hoult, que, há oito anos, vivia um moleque bem estranho em Um Grande Garoto e agora mostra que de moleque não tem mais nada), e discute sua relação com a melhor amiga, Charley (Julianne Moore, como sempre, brilhante). É um dia conclusivo para o protagonista e extremamente dolorido.

George fala sobre como o medo guia as pessoas em suas atitudes e isso é algo no qual sempre pensei. Tudo que fazemos é pelo medo: de ficarmos sozinhos, de amar, de ser rejeitado, de pegar um resfriado, de sermos infelizes, de sermos felizes, de morrermos. O medo e, principalmente, a morte rondam A Single Man e está aí a grande ironia da coisa toda. Medo e morte são elementos os quais normalmente não queremos encarar, diferentemente da beleza, a qual sempre buscamos – seja em nós mesmos ou nos outros, nas coisas, nos lugares. Temos no mesmo filme, então, o medo, a dor e a morte, temas duros conduzidos de forma tão bela. A ironia da vida me encanta e é exatamente por por isso que A Single Man e a coragem de Tom Ford me arrebataram completamente.

NOITE DE OSCAR: E DAÍ?

por Angélica Bito

  

Domingo (7/3) foi dia de Oscar, a premiação mais falada de Hollywood. Desta forma, não haveria assunto melhor para eu falar na minha primeira contribuição ao blog Alguns Tormentos do que esta tão prestigiada premiação do cinema. Mas por que, afinal, ela é tão prestigiada? Por que a gente separa tantas horas de nossos dias discutindo a premiação, assistindo aos filmes indicados e quebrando a cabeça apostando nos nossos favoritos? Sobretudo por ser uma premiação feita para e pelo cinema norte-americano. Confesso que isso ainda é um mistério pra mim.

Conheço gente que se dedica de devotadamente a assistir principalmente a filmes indicados ao Oscar. Tem gente que se reúne pra assistir à festa, fazer bolões, até compram umas bebidas legais. O mercado de vídeo tem uma tradicional festa, na qual as pessoas assistem à premiação com roupas de gala, têm acesso a quitutes gostosos e bebidas finas. Tudo isso por causa dessa festa, que parece movimentar de uma forma quase misteriosa a indústria cinematográfica. 

A questão do Oscar é que a festa é simplesmente uma celebração do cinema mais como indústria, menos como arte. Não vou dizer que filmes indicados têm de ser caros ou algo do gênero, mas a estatueta existe para movimentar capitais em Hollywood. Um ator ou diretor indicado ao Oscar têm um “plus” em seu cachê nos próximos trabalhos. Oscar agrega valor aos talentos cinematográficos e qualquer coisa que envolva “valor” e “arte” já complica o segundo. Em 2010, no entanto, o fato da Academia ter preferido premiar o independente Guerra ao Terror ao megassucesso Avatar mostra que não pretende ainda ajoelhar-se frente às inovações tecnológicas de filmes como o de James Cameron que, embora tenha arrebatado o público, não fez tanto a cabeça dos que escolhem os vencedores da estatueta mais cobiçada de Hollywood. 

Mas, calma, não acho que o Oscar é uma tremenda besteira. Seria clichê demais simplesmente fingir que a premiação não seja importante para o cinema. Por exemplo, gosto quando as pessoas são capazes de descobrir novas cinematografias graças aos cinco indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Claro, isso é mais difícil quando estamos falando sobre o público norte-americano – que, aos poucos (bem poucos) vêm se abrindo aos filmes legendados, mas não completamente -, mas já fico feliz se você, leitor, tenha ido assistir a filmes como A Fita Branca, O Segredo de Seus Olhos ou A Teta Assustada – citando alguns que foram indicados nesta categoria este ano e passaram pelo mercado brasileiro, seja em cinema ou DVD – por causa da premiação. Também devo admitir que minha porção mulherzinha adora dar uma espiada nos looks “desfilados” no tapete vermelho.

Agora, a pergunta inicial: para que serve o Oscar? Pra que as musas mostrem por que são musas, para que os filmes indicados faturem algum troquinho a mais das pessoas que vão ao cinema somente nesta época e, quem sabe, revelar alguns talentos e filmes que poderiam passar batido. Mas este último tópico, confesso, é fruto da minha natureza cinéfila e extremamente otimista. Agora, uma coisa que não gosto é fazer apostas, bolões e coisas do gênero. Filmes são mais do que apostas, não? Mais uma da cinéfila otimista que ainda dorme tarde no domingo de Oscar só pra ser surpreendida.

A ideia inicial era, a partir deste parágrafo, comentar a festa em si. Que já começou com problemas de transmissão, que beleza – acompanhei pela TNT em áudio original, ninguém merece comentários desinteressantes. Agora, confesso: o maior motivo que me levou a querer acompanhar a festa veio a partir do momento em que confirmaram Steve Martin e Alec Baldwin apresentando a premiação. Eles são geniais; Baldwin está em seu melhor momento agora que descobriu como fazer comédia tirando sarro dele mesmo e Martin segue sendo charmoso, elegante e engraçado. Um par bastante digno.  Mas, 879 minutos depois de ver atores sendo zoados pela dupla, já senti vontade de dormir. O que eu pretendia fazer, até a Penélope Cruz entrar no palco com um vestido incrível para chamar o sensacional Christophe Waltz para ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Bastardos Inglórios. Escrevi isso antes mesmo do Matt Damon acabar de falar o discurso do personagem dele em Invictus. Gostaria que o Woody Harelson ganhasse, ele está realmente muito bom em O Mensageiro e simpatizo com sua figura. Mas não tinha para mais ninguém mesmo e o primeiro prêmio da noite foi justo, mas não surpreendente.

Agora eu fiquei pensando: por que raios o leitor chegaria a esta parte? Quero dizer, qual é a graça de comentar minuto a minuto o Oscar num texto que será lido depois? Saudades da época que eu fazia este tipo de trabalho ao vivo, no site onde trabalhava até ano passado (Cineclick). Por isso, despeço-me da minha primeira conversa com você, leitor. Pois é isso que gostaria de fazer neste espaço: conversar. Até a próxima semana, então!