MINHA MÃE NÃO DORME ENQUANTO EU NÃO CHEGAR

por Samanta Alcardo

Eu estudei jornalismo, né. Terminei o curso em 2003 e meu TCC foi uma revista cultural cuja matéria de capa era sobre Ary Barroso, compositor e músico brasileiro que faria 100 anos em 2003. Se você nunca ouviu falar em Ary Barroso, basta dizer que ele é o autor de “Aquarela do Brasil” (aquela música “Brasil… meu Brasil brasileiro…” ) e de mais de 400 músicas. Foi um dos primeiros artistas brasileiros a ter fama internacional.

Na época eu fiquei bem fascinada pela história de Ary. Confesso que foi somente aí que me interessei por música brasileira e vi como havia uma série de artistas geniais pra conhecer.

Esses dias eu estava ouvindo um desses CDs da coleção da Folha (Raízes da Música Popular Brasileira), o de Adoniran Barbosa. O marido está comprando a coleção toda e eu até então não tinha ouvido nenhum.  É pra falar desse CD que eu contei essa história toda.

Eu já conhecia algumas músicas de Adoniran (várias cantadas pelos Demônios da Garoa). Algo que sempre achei incrível nessas poucas canções que eu conhecia é a atmosfera das músicas. Uma áurea toda paulistana, as letras com várias gírias da época, pronúncias incorretas, nenhuma polidez, mas muito encanto. Letras tristes, mas sempre com um toque de humor inocente.

Aí quando ouvi esse CD eu fiquei muito apaixonada. Obviamente é uma coletânea, mas acredito que dá uma boa noção do tipo de artista que Adoniran era. E fica difícil não ficar muito encantada.

O disco começa com uma versão deliciosa de “Tiro ao Álvaro”, cantada por Elis Regina e o próprio Adoniran. Tem também as conhecidas “Saudosa Maloca”, “Trem das Onze” e “Samba do Arnesto”, com os Demônios da Garoa, uma delííícia. O que me fez lembrar que tenho um tio-avô que até 2005 era um dos Demônios. Mas essa já é outra história.

Daí tem Clara Nunes e Adoniran cantando “Iracema”, história triste que Adoniran tirou de uma notícia de jornal de um atropelamento na Av. São João. Ainda assim, se você prestar atenção na música, vai ver que ele consegue cantar uma tragédia com certo humor. E tem “Mariposas”, canção divertida cantada pelos Originais do Samba (Mussuuum!).

E várias outras. Um CD lindo e fofo, foi o que achei.

"Seu olhar mata mais que atropelamento de automóver, mata mais que bala de revórver"

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2 Respostas para “MINHA MÃE NÃO DORME ENQUANTO EU NÃO CHEGAR

  1. que texto legal, sá! gosto tb do adoniran, e me lembrei agora do cartola.. faz séculos que não ouço, mas fiquei com vontade. :**

  2. Gostei do texto…
    a voz rouca dele é sensacional!
    amo aquela música “já fui uma brasa”… é demais! ela toca no comecinho do show do Arnaldo Antunes!

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